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Reitora da Ufac critica governo e diz que Estado está “deixando passar” hospital universitário

Por Matheus Mello, ContilNet

Reitora da Ufac critica governo e diz que Estado está “deixando passar” hospital universitário

Reitora da Ufac critica governo e diz que Estado está “deixando passar” hospital universitário/Foto: ContilNet

A reitora da Universidade Federal do Acre, Guida Aquino, fez críticas diretas ao governo do Estado ao comentar o impasse em torno da implantação do hospital universitário da instituição. A declaração foi dada nesta quarta-feira, 25, durante agenda do ministro da Educação, Camilo Santana, no campus da universidade, em Rio Branco.

Em tom firme, Guida afirmou que o Acre está perdendo uma oportunidade histórica ao não viabilizar a doação de uma unidade hospitalar para que o projeto avance com recursos federais já reservados.

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“O meu pai dizia que o cavalo selado só passa uma vez. O Acre está deixando passar esse cavalo selado. Não é a Universidade Federal do Acre que está deixando passar, mas infelizmente é o governo do Estado que está deixando passar”, declarou.

Recursos reservados e espera por definição

O hospital universitário da Ufac é o único que ainda não saiu do papel entre os estados brasileiros. Segundo o ministro Camilo Santana, desde 2023 há o compromisso do governador Gladson Camelí de doar um hospital estadual para que o Ministério da Educação faça as reformas e a adequação da estrutura.

De acordo com o ministro, R$ 50 milhões já estão previstos no novo PAC para custear melhorias, compra de equipamentos e adaptação da unidade. O recurso, no entanto, segue aguardando uma definição formal do governo estadual.

“A gente colocou 50 milhões disponíveis do PAC para fazer as melhorias, as reformas, compra de equipamentos para o hospital funcionar. Esse dinheiro está lá guardado”, afirmou Camilo durante a coletiva.

Ele explicou que a alternativa de construir um hospital do zero exigiria um investimento estimado entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões, além de um prazo maior para execução. Por isso, a estratégia inicial foi replicar modelos adotados em outros estados, onde governos locais doaram unidades já existentes para transformação em hospitais universitários.

“Desde 2023 o governador se comprometeu a doar esse hospital. Nós mantemos uma boa relação. O atraso do hospital universitário aqui é porque a gente está esperando”, disse o ministro.

Camilo também declarou que pretende voltar a conversar com o governador para buscar uma definição. Caso a doação não se concretize, o MEC deverá estudar outra alternativa para garantir a implantação da unidade no estado.

“A decisão do presidente Lula é que nenhum estado do Brasil deixe de ter um hospital universitário, pelo menos um. O Acre é o último que falta”, afirmou.

Impacto social

Para Guida, a indefinição representa prejuízo não apenas acadêmico, mas também social. Ela destacou que a unidade teria papel estratégico na formação de estudantes de medicina e de outras áreas da saúde, além de ampliar o atendimento de alta complexidade pelo SUS.

“Hoje a gente já poderia estar aqui inaugurando, celebrando um hospital universitário com atendimento qualificado. As filas de tratamento fora de domicílio diminuiriam. Pessoas que vêm do Jordão, de Santa Rosa, de Marechal Thaumaturgo, de Porto Walter, que só chegam de barco ou avião, seriam atendidas aqui”, afirmou.

Ela também citou a importância do hospital para o tratamento de doenças tropicais da Amazônia e para consolidar a qualidade da formação médica no estado.

A fala ocorreu diante de autoridades e membros da comunidade acadêmica e foi recebida com aplausos de parte do público presente. A universidade aguarda agora a definição do governo estadual para que o projeto possa avançar.

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