RJ: Bloco Mulheres Rodadas volta a discutir violĂȘncia contra a mulher

Por AgĂȘncia Brasil 18/02/2026 Ă s 14:10


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Uma marca de tiro feita de pintura corporal e eletrochoques simbolizados por lantejoulas prateadas na perna de pau eram parte da fantasia de carnaval da pernalta e acrobata Luciana Peres, de 46 anos. Ela desfilou no Bloco Mulheres Rodadas, nesta quarta-feira (18),  na zona sul do Rio de Janeiro, e fez referĂȘncia Ă s tentativas de assassinato sofridas pela farmacĂȘutica Maria da Penha Fernandes, em 1983.  Mais de dez anos depois, em 2006, a vĂ­tima emblemĂĄtica da violĂȘncia domĂ©stica no paĂ­s, praticada pelo ex-marido, deu nome Ă  lei federal que tipifica o crime no paĂ­s.RJ: Bloco Mulheres Rodadas volta a discutir violĂȘncia contra a mulherRJ: Bloco Mulheres Rodadas volta a discutir violĂȘncia contra a mulher

“Eu não consegui pensar em outro assunto que não fosse a luta pela vida das mulheres”, disse. “Tenho refletido muito sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, em 2026 e, em contraposição, o recorde de feminicídio, em 2025”, comentou a artista e produtora cultural.

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Ano passado, o Brasil contabilizou 1.518 vĂ­timas do crime, segundo o MinistĂ©rio da Justiça e da Segurança PĂșblica.

“A gente precisa de polĂ­ticas pĂșblicas, senĂŁo, todos os dias, mulheres vĂŁo morrer”, completou.

Desde 2015, o Mulheres Rodadas discute o assĂ©dio, a violĂȘncia domĂ©stica e o feminicĂ­dio por meio de fantasias, placas e performances. Ao tocar a mĂșsica Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, por exemplo, as pernaltas simulam ainda a violĂȘncia transfĂłbica, responsĂĄvel tambĂ©m por colocar o paĂ­s no topo do ranking de assassinatos de transexuais. Tintas vermelhas e acrobacias imitam agressĂ”es.

HĂĄ outras performances ao longo do desfile pelas ruas do Flamengo, na zona sul do Rio de Janeiro, que fazem alusĂŁo Ă  solidariedade entre as mulheres. HĂĄ momentos em que, uma puxa a outra do chĂŁo, simbolizando a uniĂŁo.

Para destacar a força das mulheres, a lista de mĂșsicas executadas pelas ritmistas Ă© preparada cuidadosamente, explica a regente e coordenadora de percussĂŁo, Simone Ferreira. “Escolhemos intĂ©rpretes e compositoras mulheres ou mĂșsicas que exaltam a condição feminina casadas com as performances das pernaltas”.

Na lista estão marchinhas clåssicas, como Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, Vai, Malandra, de Anita, Ama sofre e chora, de Pablo Vittar, Tieta, de Luiz Caldas, Vermelho, de Fafå de Belém, além de composiçÔes internacionais icÎnicas, como Toxic, de Britney Spears e Girls Just Want Have Fun, de Cyndi Lauper.

 


Rio de Janeiro (RJ), 18/02/2026 – Bloco Mulheres Rodadas se apresenta no Largo do Machado, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

Bloco Mulheres Rodadas se apresenta no Largo do Machado, na zona sul do Rio de Janeiro. – Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

Este ano, o bloco atraiu turistas e artistas de fora do paĂ­s. A pernalta francesa Lucie Cayrol, de Toulouse, aproveitou para homenagear a advogada franco-tunisiana GisĂšle Halimi. Ela destacou o papel de Halimi na despenalização do aborto naquele paĂ­s, em 1975. A França, no entanto, segue enfrentando a violĂȘncia domĂ©stica.

Cayrol lembrou do caso de GisÚle Pelicot, que acaba de lançar um livro de memórias. Ao longo de dez anos, Pelicot foi dopada pelo ex-marido que convidou mais de 50 homens desconhecidos para estuprå-la. O agressor foi condenado à prisão pela Justiça daquele país em 2024.

A coordenadora do bloco, a jornalista Renata Rodrigues, explica que, mesmo depois de dez anos de fundação, o tema principal permanece atual.

“NĂłs somos um dos poucos coletivos, no Rio, que discute a violĂȘncia contra a mulher no carnaval”, disse.

Esse problema, completou, estĂĄ longe de ser superado. Por isso, Renata tambĂ©m cobra apoio do poder pĂșblico e da iniciativa privada para passar a mensagem. No desfile, o recado chega para todas e todos. O foliĂŁo Raul Santiago, destacou a necessidade de compromisso dos homens com o fim do problema. “Os homens precisam estar junto, precisam mudar a atitude e a forma de pensar, ser antimachista, entender os lugares sociais e defender a igualdade”, afirmou.

Confira as informaçÔes sobre o desfile do bloco no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

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