A varejista chinesa Shein enfrenta um novo e rigoroso capítulo de pressão regulatória. Nesta terça-feira (17/2), a União Europeia anunciou a abertura de uma investigação formal contra a plataforma, fundamentada na Lei de Serviços Digitais (DSA). O bloco investiga se a empresa utiliza estratégias de design propositalmente viciantes para pressionar o consumo e se falha em impedir a venda de produtos ilegais em seu marketplace.
Victor LOCHON/Gamma-Rapho via Getty Images
A medida intensifica as tensões globais sobre o modelo de negócio da Shein, que já vinha sendo alvo de críticas por concorrência desleal com o comércio local e polêmicas éticas graves.
O que está sendo investigado?
A ação da União Europeia foca no que especialistas chamam de “padrões obscuros” de interface, que podem induzir o usuário ao erro ou à compra por impulso:
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Design Viciante: A investigação analisará o uso de contadores regressivos, notificações incessantes e mecânicas de recompensa que se assemelham a jogos (gamificação).
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Produtos Ilegais: A fiscalização quer garantir que a Shein cumpra as regras de segurança e proteção ao consumidor, removendo itens que não atingem os padrões do bloco.
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Responsabilidade do Marketplace: Diferente de lojas físicas, a plataforma é acusada de não assumir a responsabilidade direta pelos itens vendidos por terceiros em seu site.
Histórico de polêmicas e leis rígidas
A ofensiva contra a Shein não é isolada. Em 2025, o Senado francês já havia avançado com projetos de lei para taxar o “ultra fast fashion”, visando proteger o comércio local e o meio ambiente. Além disso, a empresa enfrenta acusações gravíssimas, como a venda de itens de natureza pedopornográfica (bonecas sexuais com aparência infantil) detectada pelo escritório antifraude da França em novembro passado.
O ministro das Pequenas e Médias Empresas da França, Serge Papin, reiterou que 2026 será o ano de “resistência” às plataformas internacionais que promovem desigualdade comercial. Caso as irregularidades sejam confirmadas, a Shein pode enfrentar multas bilionárias ou até o bloqueio de suas atividades em determinados territórios europeus.
A investigação deve durar os próximos meses, exigindo que a gigante chinesa apresente provas de conformidade com as novas diretrizes digitais europeias para evitar sanções severas.
Fonte: Metrópoles
Redigido por: ContilNet
