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Suprema Corte decide nesta sexta legalidade do tarifaço imposto por Trump

Por Redação, ContilNet

Corte dos EUA analisa se lei de 1977 autoriza tarifas amplas sem aval do Congresso.

Corte dos EUA analisa se lei de 1977 autoriza tarifas amplas sem aval do Congresso/ Foto: Reprodução

A Suprema Corte dos Estados Unidos deve decidir nesta sexta-feira (20) se o chamado tarifaço imposto pelo ex-presidente Donald Trump desde abril de 2025 foi legal. O julgamento pode influenciar o comércio internacional, o comportamento do dólar e até reflexos na economia brasileira.

No centro da discussão está a interpretação da International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), lei de 1977 que permite ao presidente adotar medidas em situações de emergência econômica. O governo Trump sustenta que a norma autoriza a aplicação de tarifas amplas sem necessidade de aprovação do Congresso.

Corte dos EUA analisa se lei de 1977 autoriza tarifas amplas sem aval do Congresso/ Foto: Reprodução

Pela Constituição norte-americana, no entanto, a criação de impostos e tarifas é atribuição do Legislativo. Tribunais inferiores já rejeitaram o entendimento defendido pelo ex-presidente, e agora caberá à Suprema Corte dar a palavra final.

Se a Corte validar as tarifas

Caso os ministros considerem que Trump agiu dentro da lei, as sobretaxas aplicadas desde abril de 2025 — que variaram de 10% a 50% — permanecerão em vigor. Analistas avaliam que a decisão consolidaria o uso de tarifas como instrumento direto de política comercial pelo Executivo.

Entre os possíveis efeitos está o fortalecimento do dólar. Tarifas elevadas podem pressionar preços internos nos Estados Unidos, estimulando inflação. Nesse cenário, o Federal Reserve poderia manter juros mais altos por mais tempo, atraindo capital estrangeiro e valorizando a moeda americana.

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O ambiente comercial também tenderia a permanecer instável, com maior volatilidade nas regras internacionais. Exportadores brasileiros continuariam enfrentando custos adicionais para acessar mercados estratégicos.

Se o tarifaço for derrubado

Se a Suprema Corte considerar as tarifas ilegais, a aplicação das sobretaxas poderá ser suspensa. Parte dos valores arrecadados em 2025 — estimados em cerca de US$ 90 bilhões — não seria devolvida automaticamente. Empresas interessadas teriam de solicitar reembolso por vias específicas.

Nesse cenário, analistas projetam possível enfraquecimento do dólar. Sem a pressão inflacionária das tarifas, o Federal Reserve teria mais margem para reduzir juros, tornando a moeda americana menos atrativa. O movimento poderia direcionar capitais para mercados emergentes, como o Brasil, fortalecendo o real.

Além disso, a redução de tarifas tende a baratear importações e aliviar pressões inflacionárias globais.

O que está em jogo

O julgamento tem dimensão jurídica, financeira e comercial. No campo institucional, define até onde vai o poder do presidente dos EUA em matéria tarifária sem aval do Congresso. No mercado, pode influenciar decisões de juros e fluxos internacionais de capital. No comércio exterior, altera o grau de competitividade entre países.

Mesmo em caso de derrota, o governo norte-americano poderá buscar outras bases legais, como argumentos ligados à segurança nacional ou práticas comerciais desleais, para justificar novas tarifas. Assim, ainda que a decisão traga clareza jurídica, a incerteza sobre a política comercial dos Estados Unidos pode persistir.

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