O fenômeno Therian, que se espalhou rapidamente pelo TikTok e outras plataformas digitais, deixou de ser apenas uma tendência estética para se tornar um ponto de atenção para profissionais da saúde. Embora a prática de se identificar com animais e usar acessórios como máscaras e caudas possa parecer uma brincadeira inofensiva, especialistas alertam que o comportamento pode esconder lacunas emocionais profundas.
Para o psicanalista e psiquiatra infantojuvenil Francisco Guerrini, a expansão dessa comunidade reflete uma necessidade geracional de diferenciação e pertencimento, mas exige um olhar atento para o que acontece “por trás da máscara”.
Grupo de terianos se encontra em parques para interagir uns com os outros, pulando, brincando e até latindo — Foto: Reprodução/ Instagram/ @foxcor_
A busca por identidade na era digital
De acordo com Guerrini, o surgimento dos Therians pode ser comparado às tribos urbanas de décadas passadas, mas com o agravante do isolamento digital.
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Diferenciação: O jovem busca se distanciar da geração anterior através de identidades chamativas e subjetivas.
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Falta de Referência: O especialista aponta que, muitas vezes, a figura central familiar não ocupa o lugar ideal de identificação, levando o adolescente a buscar referências em algoritmos e personagens de rede social.
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Sofrimento Subjacente: “A primeira coisa que se deve pensar é se há sofrimento”, pondera o psiquiatra, destacando que a estética animal pode ser um refúgio para quem não se sente acolhido no social.
Quando o comportamento se torna um sinal de alerta
Embora exista uma dimensão lúdica na prática Therian, Guerrini estabelece limites claros entre a criatividade e a patologia.
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Agressividade: O sinal de alerta máximo ocorre quando o jovem ultrapassa a fantasia e começa a morder ou atacar outras pessoas. “Nesse caso, já se trata de uma problemática próxima de um episódio psicótico”, adverte.
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Perda do Pensamento Crítico: O uso excessivo de telas impacta o córtex frontal, reduzindo a capacidade de concentração e o discernimento entre a animalidade e a cultura.
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Contexto Familiar: O psiquiatra reforça que o problema central muitas vezes reside no fato de as famílias estarem “rolando a tela” o dia inteiro, negligenciando a interação real e o suporte emocional necessário.
| Aspecto do Fenômeno | Visão Lúdica | Visão Patológica |
| Identificação | Expressão artística e teatral | Crença absoluta em ser um animal |
| Socialização | Encontro com amigos da comunidade | Isolamento e agressividade física |
| Uso de Redes | Compartilhamento de hobbies | Vício e perda de pensamento crítico |
O debate sobre os Therians em 2026 reforça a importância de um diálogo aberto entre pais e filhos. Olhar além do figurino é essencial para garantir que a construção da identidade não seja apenas uma fuga de uma realidade dolorosa, mas um processo saudável de crescimento.
Fonte: O Globo
Redigido por: ContilNet

