O governo federal, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário lançam nesta quarta-feira (4) o Pacto Nacional – Brasil contra o FeminicĂdio.

A iniciativa prevê atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil.
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O acordo reconhece que a violĂŞncia contra mulheres no paĂs figura como uma crise estrutural que nĂŁo pode ser enfrentada por ações isoladas.
Será lançada ainda uma campanha orientada pelo conceito Todos Juntos por Todas, convocando toda a sociedade a assumir papel ativo no enfrentamento à violência.
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Objetivos
Dentre os objetivos do pacto está acelerar o cumprimento de medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar agressores, combatendo a impunidade.
O acordo prevê compromissos voltados à transformação da cultura institucional dos três Poderes, à promoção da igualdade de tratamento entre homens e mulheres, ao enfrentamento do machismo estrutural e à incorporação de respostas a novos desafios, como a violência digital contra mulheres.
A estratĂ©gia inclui ainda o site TodosPorTodas.br, que vai reunir informações sobre o pacto, divulgar ações previstas, apresentar canais de denĂşncia e polĂticas pĂşblicas de proteção Ă s mulheres, alĂ©m de estimular o engajamento de instituições pĂşblicas, empresas privadas e da sociedade civil.
A plataforma vai disponibilizar um guia para download, com informações sobre os diferentes tipos de violĂŞncia, polĂticas de enfrentamento e orientações práticas para uma comunicação responsável, alinhada ao compromisso de salvar vidas.
ComitĂŞ
O pacto tambĂ©m prevĂŞ a criação do ComitĂŞ Interinstitucional de GestĂŁo, coordenado pela PresidĂŞncia da RepĂşblica. O colegiado vai reunir representantes dos TrĂŞs Poderes, com participação permanente de ministĂ©rios pĂşblicos e defensorias pĂşblicas, assegurando acompanhamento contĂnuo, articulação federativa e transparĂŞncia.
Pelo Executivo, integram o comitê a Casa Civil, a Secretaria de Relações Institucionais e os ministérios das Mulheres e da Justiça e Segurança Pública.
NĂşmeros
Dados do sistema judiciário mostram que, em 2025, a Justiça brasileira julgou em mĂ©dia 42 casos de feminicĂdio por dia, totalizando 15.453 julgamentos – alta de 17% em relação ao ano anterior.
No mesmo perĂodo, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 medidas por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça.
Já o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, registrou média de 425 denúncias por dia, em 2025.
Confira, a seguir, as principais mudanças previstas pelo governo com o Pacto Nacional Brasil contra o FeminicĂdio:
- medidas protetivas mais rápidas e que funcionem de verdade – menos tempo entre a denĂşncia e a proteção efetiva da mulher. A ideia Ă© que decisões judiciais, polĂcia, assistĂŞncia social e rede de acolhimento passem a agir de forma coordenada, sem empurra-empurra;
- Três Poderes olhando para o mesmo caso – Executivo, Legislativo e Judiciário, além de órgãos de controle, compartilham informações e acompanham os casos de forma integrada, desde o pedido de ajuda até o desfecho, reduzindo falhas que hoje colocam mulheres em risco;
- mais prevenção antes da violência virar morte – campanhas permanentes, educação para direitos, capacitação de agentes públicos e ações para mudar a cultura de violência – envolvendo, inclusive, homens como parte da solução;
- agressores responsabilizados com mais rapidez – processos mais céleres, menos impunidade e respostas mais firmes a quem descumpre medidas protetivas ou comete violência;
- atenção especial a quem corre mais risco – foco em mulheres negras, indĂgenas, quilombolas, perifĂ©ricas, do campo, com deficiĂŞncia, jovens, idosas e moradoras de áreas remotas ou em maior vulnerabilidade;
- resposta a novas formas de violĂŞncia – enfrentamento da violĂŞncia digital, como perseguição, ameaças e exposição online, que muitas vezes antecedem agressões fĂsicas;
- cobrança pública de resultados – relatórios periódicos, metas e prestação de contas.

