Trump publica vĂ­deo com Obama retratado como macaco e revolta web

Por Bacci NotĂ­cias 06/02/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na quinta-feira (5) um vĂ­deo nas redes sociais que retrata o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. A postagem provocou forte reação de lĂ­deres democratas, que classificaram o conteĂșdo como ofensivo e racista.

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O gabinete do governador da CalifĂłrnia, Gavin Newsom, condenou a publicação e afirmou que se trata de um “comportamento repugnante”. Newsom Ă© visto como um dos possĂ­veis candidatos democratas Ă  PresidĂȘncia em 2028 e Ă© um dos principais crĂ­ticos de Trump.

Ao final do vĂ­deo, com cerca de um minuto de duração e recheado de teorias da conspiração sobre as eleiçÔes americanas, os rostos dos Obamas aparecem sobrepostos aos corpos de macacos por aproximadamente um segundo, enquanto a mĂșsica “The Lion Sleeps Tonight” toca ao fundo. O casal nĂŁo tem qualquer relação com a suposta “denĂșncia” apresentada no conteĂșdo.

O vĂ­deo repete alegaçÔes falsas de que a empresa Dominion Voting Systems teria ajudado a “roubar” a eleição presidencial de 2020 de Trump. Mesmo assim, a publicação recebeu milhares de curtidas nas primeiras horas de sexta-feira na plataforma Truth Social, rede social usada pelo presidente.

Em nota publicada na rede X, a equipe de Newsom foi direta: “Comportamento repugnante do Presidente. Todo republicano deve denunciar isto. Agora.”

Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado prĂłximo de Barack Obama, tambĂ©m criticou duramente a postagem. “Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verĂŁo os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa histĂłria”, escreveu.

Barack Obama Ă© o Ășnico presidente negro da histĂłria dos Estados Unidos e apoiou Kamala Harris na disputa eleitoral de 2024 contra Trump.

Imagens geradas por IA
No primeiro ano de seu segundo mandato, Trump intensificou o uso de imagens e vĂ­deos gerados por inteligĂȘncia artificial em suas redes sociais, muitas vezes para exaltar a prĂłpria imagem ou ridicularizar adversĂĄrios polĂ­ticos.

No ano passado, ele publicou um vĂ­deo produzido por IA que mostrava Barack Obama sendo detido no SalĂŁo Oval e aparecendo atrĂĄs das grades, vestindo uniforme de presidiĂĄrio. Meses depois, divulgou um clipe tambĂ©m gerado por IA que retratava Hakeem Jeffries, lĂ­der democrata na CĂąmara — que Ă© negro — com bigode falso e chapĂ©u. À Ă©poca, Jeffries classificou a imagem como racista.

Agenda “anti-woke”
Desde que retornou à Casa Branca, Trump tem sido alvo de críticas por liderar uma ofensiva contra programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Uma das primeiras medidas de seu segundo governo foi encerrar todas as iniciativas desse tipo no governo federal, incluindo políticas de diversidade nas Forças Armadas.

A campanha contra o que Trump chama de iniciativas “woke” tambĂ©m levou Ă  retirada de dezenas de livros das bibliotecas de academias militares, especialmente obras que tratam da histĂłria da discriminação racial nos Estados Unidos.

Os programas federais de combate à discriminação surgiram a partir da luta pelos direitos civis na década de 1960, liderada principalmente por afro-americanos, em busca de igualdade e justiça após séculos de escravidão e de outras formas institucionais de racismo.

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