O que começou como um desejo de criança tornou-se um projeto de vida profundo para o enfermeiro Uanderson Barreto. Morador do interior do Rio de Janeiro, ele tomou uma decisão rara e admirável: adotou sozinho 12 filhos. A motivação central de Uanderson foi evitar a separação de irmãos biológicos em abrigos, garantindo que o convívio familiar permanecesse intacto. “É uma paternidade de 24 horas”, resume ele.

Imagem cedida ao Metrópoles
A adoção como herança e a luta contra a separação de irmãos
A inspiração para formar uma família adotiva veio de dentro de casa. Com uma avó e uma tia que também adotaram crianças, Uanderson Barreto cresceu entendendo a adoção como um caminho legítimo para o amor. Ao trabalhar em instituições de acolhimento, ele viu de perto a dor de irmãos sendo separados durante o processo adotivo e decidiu que sua história seria diferente.
“Eu não conseguiria separar. Eu vi de perto o quanto isso dói”, relata o pai, que hoje lidera uma casa cheia de vida e de histórias que foram interrompidas e agora são reconstruídas diariamente.
O desafio de reconstruir corações feridos
Para Uanderson, o maior obstáculo não é financeiro ou logístico, mas sim emocional. Muitas das crianças chegam com traumas de rupturas anteriores. O papel do pai, nesse cenário, é ensinar a confiar novamente. Além disso, ele faz questão de que os filhos mantenham contato com suas origens biológicas quando possível. “Ninguém existe sem saber de onde veio”, defende.
A rotina da casa exige uma organização impecável:
-
Divisão de tarefas: Todos ajudam na manutenção do lar;
-
Logística: Grandes volumes de comida e roupas organizados por horários;
-
Educação: Acompanhamento escolar e emocional constante.
Luto e recomeço: a chegada de Yohan
A trajetória de Uanderson Barreto também passou por uma dor profunda: a perda de um de seus filhos. No entanto, o luto transformou-se em recomeço quando ele reencontrou Yohan em um abrigo. O menino fazia aniversário no mesmo dia do sepultamento do filho que partiu. No lugar de flores no cemitério, Uanderson escolheu celebrar a vida com uma festa para o novo integrante da família.
Exemplo de superação e incentivo aos estudos
Aos 45 anos, Uanderson decidiu dar mais um passo para inspirar seus 12 filhos: iniciou o curso de medicina. Ele acredita que o exemplo é a melhor forma de mostrar que a adoção tardia não define o futuro de ninguém e que sempre é tempo de recomeçar. “Eu estudo para incentivar meus filhos a reconstruírem suas vidas também na escola”, afirma o enfermeiro, que prova que o afeto é capaz de mudar qualquer trajetória.
Fonte: Metrópoles / Entrevista Exclusiva
Redigido por: ContilNet
