Vulnerabilidade reduz altura média de crianças indígenas e nordestinas

Por AgĂȘncia Brasil 19/02/2026 Ă s 08:10


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A vulnerabilidade social faz com que crianças indĂ­genas e de alguns estados do Nordeste, com atĂ© 9 anos de idade, apresentem mĂ©dia de altura menor que outras regiĂ”es do Brasil e abaixo da referĂȘncia preconizada pela Organização Mundial da SaĂșde (OMS).Vulnerabilidade reduz altura mĂ©dia de crianças indĂ­genas e nordestinasVulnerabilidade reduz altura mĂ©dia de crianças indĂ­genas e nordestinas

Essas sĂŁo algumas conclusĂ”es de uma pesquisa que contou com participação de especialistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para SaĂșde da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia (Cidacs/Fiocruz Bahia).

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Entre as questĂ”es que prejudicam o crescimento estĂŁo problemas na atenção Ă  saĂșde, alimentação, elevado nĂ­vel de doenças, baixo nĂ­vel socioeconĂŽmico e condiçÔes ambientais inadequadas.

Tais dificuldades também fazem com que cerca de 30% das crianças brasileiras tenham sobrepeso ou estejam perto disso, o que mostra que crianças que crescem em situaçÔes de vulnerabilidade não estão protegidas do excesso de peso, mas expostas a fatores que comprometem o crescimento saudåvel.

O padrão de peso e altura da OMS para crianças até 9 anos baseia-se em curvas de crescimento (escore-z) que avaliam o desenvolvimento saudåvel.

O peso médio para meninos aos 9 anos de idade varia entre 23,2kg e 33,8kg, com altura de cerca de 124cm a 136cm, enquanto meninas pesam em torno de 23kg a 33kg e medem entre 123cm e 135cm,

Cruzamento de dados

A pesquisa analisou dados de 6 milhĂ”es de crianças brasileiras de famĂ­lias registradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e no Sistema de VigilĂąncia Alimentar e Nutricional (Sisvan), desde que nasceram atĂ© os 9 anos de idade.

Os pesquisadores fizeram um cruzamento de dados entre condiçÔes de saĂșde e condiçÔes socioeconĂŽmicas da população brasileira que estĂĄ cadastrada nesses trĂȘs sistemas, explicou o pesquisador associado ao Cidacs/Fiocruz BA, Gustavo Velasquez, lĂ­der do estudo.

Foram estudados peso e estatura, adequação de peso e adequação de estatura, com relação aos parùmetros da OMS, para avaliar o crescimento e estado nutricional das crianças. 

Gustavo Velasquez ressaltou que as conclusÔes não indicam que necessariamente todas essas crianças indígenas e do Norte e Nordeste podem ser consideradas de baixa estatura, mas que hå uma porcentagem maior que poderia ser classificada dessa forma.

“Todos os dados sĂŁo seguros e altamente anonimizados. NĂŁo hĂĄ identificação das pessoas que estĂŁo lĂĄ. SĂŁo dados administrativos que se usa para pesquisas em saĂșde”.

 


Brasnorte (MT), 09/04/2025 – Crianças indĂ­genas do Povo Rikbaktsa na aldeia Beira Rio, Terra IndĂ­gena Erikpatsa. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

 Crianças indĂ­genas do Povo Rikbaktsa na aldeia Beira Rio, Terra IndĂ­gena Erikpatsa. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Sobrepeso e obesidade

O estudo verificou tambĂ©m a prevalĂȘncia de crianças que estĂŁo acima do peso e, entre essas, qual a porcentagem da população considerada obesa, a partir do indicador chamado Índice de Massa Corporal.

“Pode-se dizer que, em termos de peso, nĂŁo hĂĄ problema de subnutrição. Ao contrĂĄrio, algumas populaçÔes, como do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tĂȘm uma prevalĂȘncia de sobrepeso bastante alta”, disse o pesquisador.

 

Fonte: Cidacs/Fiocruz Bahia
RegiĂŁo Sobrepeso Obesidade
Norte 20% 7,3%
Nordeste 24% 10,3%
Centro-Oeste 28,1% 13,9%
Sudeste 26,6% 11,7%
Sul 32,6% 14,4%

 

Gustavo Velasquez afirmou que, de acordo com o estudo, populacionalmente, as crianças brasileiras estĂŁo acompanhando ou se acham acima da referĂȘncia de peso calculada pela OMS. Segundo ele, o fato de estarem um pouco acima desse parĂąmetro nĂŁo significa que haja gravidade nisso. “HĂĄ sempre uma tolerĂąncia”.

Contudo, ele observou que, dentro do grupo analisado, hå algumas crianças que jå estão realmente atingindo valores anormais.

No geral, Velasquez disse que as crianças brasileiras conseguem acompanhar a altura das referĂȘncias internacionais, em mĂ©dia, o que condiz com o desenvolvimento adequado de um crescimento linear.

“SĂł que nĂłs estamos observando que esse crescimento linear estĂĄ adequado, mas o peso estĂĄ começando, em algumas regiĂ”es, a ser muito acima da norma que a gente espera”.

O pesquisador chamou a atenção que a obesidade tambĂ©m Ă© explicada pelas condiçÔes em que a criança nasce, o que reforça a importĂąncia do acompanhamento da criança durante a gestação e na fase pĂłs-natal, para assegurar condiçÔes de crescimento e desenvolvimento saudĂĄveis, em nĂ­vel de atenção primĂĄria de saĂșde.

Outra questão de destaque para um crescimento saudåvel das crianças no Brasil diz respeito à alimentação, complementou ele.

“NĂłs temos uma invasĂŁo agora de alimentos ultraprocessados, que sĂŁo considerados como um dos grandes determinantes do aumento de peso, nĂŁo somente nas crianças, mas em todas as populaçÔes”.

O estudo foi publicado na revista JAMA Network no Ășltimo dia 22 de janeiro de 2026 e ganhou, na mesma edição, comentĂĄrios de pesquisadores internacionais, no sentido de que o mundo tem que aprender as liçÔes sobre essa situação no Brasil.

Em termos de sobrepeso, os pesquisadores estrangeiros consideraram que a situação não é tão grave no Brasil, comparativamente com a a América Latina. A obesidade em crianças é muito maior no Chile, no Peru, na Argentina, por exemplo, indicou Gustavo Velasquez. Isso significa que, mundialmente, o Brasil estå em um nível intermediårio desse problema. 

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