Na sequência, ele voltou a se referir à atuação da juíza. “Era o sonho da gente chegar à semifinal ou até à final, mas ela acabou com o nosso jogo. Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher. Todo respeito às mulheres do mundo, eu sou casado, eu tenho minha mãe, então desculpa se estou falando alguma coisa para as mulheres”, acrescentou.
Durante o jogo, atletas do Bragantino reclamaram de um possível pênalti em Juninho Capixaba nos minutos finais. A arbitragem não marcou a infração. Após a repercussão das declarações, Gustavo Marques voltou a falar com a imprensa na zona mista do estádio e pediu desculpas. Ele afirmou que procurou a árbitra para se retratar.
“Quero vir aqui a público para pedir perdão a todas as mulheres pela minha fala. Eu sei que sou ser humano, todo ser humano erra. Naquele momento, eu estava de cabeça quente, nervoso, falei coisas que não deveria. Também fui até a Daiane, pedi perdão para ela. Ela estava com uma assistente, também pedi perdão a ela, porque ela também é mulher. Acho que eu errei ao falar”, disse.
Em seguida, reforçou o pedido: “Estou aqui para pedir perdão a todas as mulheres do Brasil e do mundo. Até minha mulher me xingou pela minha fala. Minha mãe também, todo mundo já me ligou, já falou que eu não deveria ter falado. Estou sendo homem, estou sendo ser humano ao vir aqui pedir perdão pela minha fala. E todo ser humano erra. Então, eu vi que errei. Estou aqui para pedir perdão a todas as mulheres do mundo.”
O jogador também relatou a reação de Daiane Muniz: “Ela aceitou meu pedido de perdão. Falou para eu tomar cuidado, porque tem mulheres que não vão aceitar. Ela viu que eu estava nervoso, triste e amargurado.”
A Federação Paulista de Futebol divulgou nota oficial sobre o caso: “É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida contra o São Paulo, neste sábado (21), pelo Paulistão Casas Bahia.”
A entidade classificou a declaração como inadequada: “Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero.”
A Federação informou ainda que conta atualmente com 36 árbitras e assistentes em seu quadro e manifestou apoio à profissional: “Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter. A FPF reforça todo apoio a Daiane e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol. Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres.”
“Por fim, a FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis”, conclui a nota.
Com a derrota, o Bragantino sofreu o primeiro revés na competição e está eliminado. A equipe volta a campo na próxima quarta-feira (25/2), quando enfrenta o Athletico Paranaense, em casa, pelo Campeonato Brasileiro.