Salve, salve, meus consagrados da roça e do asfalto! Eu sei que a saudade era maior que o rio Acre na cheia, por isso resolvi voltar. Vamos movimentar novamente essa bagaça toda. A coluna está de volta, com humor, informação quentinha e zero enrolação.
Hoje falaremos daquilo que podemos considerar o maior dramalhão da região Norte e com isso o Acre: o acesso ao crédito rural. Meu Deus do céu, que novela das nove sem final feliz!
Tem uma enxurrada de dinheiro vindo: é bilhão pra lá, bilhão pra cá. O governo anuncia, o ministro posa de gravata, o produtor já sonha com trator novo. Parece até que vão jogar nota de cem do helicóptero. Mas na conta mesmo? Mal chega o dinheiro do pastel. Para avançar alguma coisa na roça é um Pix de misericórdia ouuu aquele velho cheque pré-datado daquele “amigo” agiota que já te liga cinco dias antes de vencer:
“E aí, brother, como é que tá a vida?”. Aí você nem atende, finge que o sinal caiu.
O fato é que toda política de crédito do país nunca teve um olhar decente pra essas bandas. E os bancos? Então, nem se fala. Nos últimos anos é só promessa, promessa, promessa. Mas na hora H, a burocracia é maior que fome de menino com 13 anos.
Segundo dados do CPI/PUC-Rio (aqueles caras que não perdoam), a Amazônia inteira, bioma inteiro, hein, se liga, levou só 7,2% do crédito. Média dos últimos 20 anos? 6 a 7,5% do valor total. Isso mesmo: A Amazônia tem 13% dos produtores aqui, 30% do gado do país… e a gente fica com migalha de 7%. Em 2024, foram R$ 14 bilhões liberados. No ano anterior, R$ 18,9 bi. Parece muito? É menos de 5% do bolo nacional, enquanto o Sul e Centro-Oeste engolem o resto.
E qual é o problema, heim, heim, heim??????
PA-PEL!!!!
O gerente do banco olha a papelada, faz cara de quem chupou limão verde e solta o clássico: “Sinto muito”. Sem garantia, sem crédito. Ponto final. Sem papel, até a amizade com o gerente fica estremecida. Aquele cafezinho que era com açúcar vira café puro, amargo pra caramba.
O problema fundiário continua sendo o maior entrave. Banco quer garantia? Quer sim, senhor. Quer ter onde segurar caso dê ruim. Sem CAR regularizado, sem título, é tchau e bênção.
E o Acre? Coitado. No Pronaf 2023/2024 o estado pegou R$ 436 milhões, um aumento bonito de 39,4% em relação ao ano anterior. Parece vitória, né? Mas é tipo ganhar na loteria do interior: todo mundo comemora, mas ninguém fica rico. É uma gota no oceano dos R$ 78,2 Bilhões do Pronaf nacional.
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Resumo da ópera: todos aqueles bilhões com juros que dão água na boca ficam guardadinhos no cofre dos grandes bancos. Não saem. Ficam lá rendendo enquanto o cabra da roça planta na fé, financia na raça ou apelando pro agiota de sempre.
É isso, turma. “O crédito rural na amazônia” virou novela das nove com final aberto e com mais temporadas que “A Escrava Isaura”. Enquanto isso, o produtor do Norte continua tocando a vida com capital próprio, esperança no coração e oração.
E vocês, já passaram por essa novela mexicana? Me contem nos comentários que eu volto na próxima pra gente continuar chorando de rir (ou chorando mesmo). Abraço apertado e força na roça, Acre!
Até a próxima, meus consagrados.

