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Ação de sindicato no Acre e Rondônia aparece em contrato milionário ligado a Ibaneis, diz site

Por Suene Almeida, ContilNet

iReportagem aponta que ação de sindicato do Acre foi usada em negociação milionária de honorários

IReportagem aponta que ação de sindicato do Acre foi usada em negociação milionária de honorários | Foto: Reprodução

Uma nova transação financeira envolvendo honorários de precatórios ligados a uma ação judicial que inclui o Acre veio à tona e ampliou a série de supostos contratos firmados pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), ainda no exercício do mandato.

De acordo com a reportagem nacional publicada pelo O Globo, o contrato identificado trata da venda de direitos sobre R$ 4,4 milhões em honorários advocatícios originados de um processo movido pelo Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho dos Estados de Rondônia e Acre (Sinjustra), em tramitação desde 2011.

Nesse tipo de operação, escritórios de advocacia transferem a fundos de investimento o direito de receber honorários futuros relacionados a precatórios, dívidas judiciais pagas pelo poder público que costumam demorar anos para serem quitadas. Na prática, o procedimento funciona como uma antecipação de recursos, geralmente com desconto sobre o valor total.

O contrato foi assinado em dezembro de 2019, quando Ibaneis exercia o cargo de governador do Distrito Federal. A negociação ocorreu com o fundo BLP PCJ VII, administrado à época pela corretora Planner, então controlada por Maurício Quadrado, empresário que posteriormente se tornou sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo a apuração, o fundo foi representado por um diretor de empresa que participou da capitalização bilionária do Banco Master e que atualmente é alvo de investigações da Polícia Federal.

Série de contratos semelhantes

A descoberta indica que a venda de honorários de precatórios teria sido utilizada de forma recorrente em negociações envolvendo o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria. Reportagens anteriores já haviam revelado outros dois contratos do mesmo tipo: um no valor de R$ 38 milhões e outro de R$ 10 milhões, firmados com fundos ligados à gestora Reag, investigada pela Polícia Federal no âmbito do caso Banco Master.

Somados, os três acordos chegam a R$ 52,9 milhões em direitos cedidos pelo escritório, atualmente administrado por Caio Barros, filho do governador. Conforme informado pela defesa, cerca de R$ 12 milhões teriam sido efetivamente recebidos, já que esse tipo de ativo costuma ser negociado abaixo do valor nominal.

Fundos sob investigação

Ainda segundo O Globo, alguns dos fundos e gestoras que realizaram negócios com o escritório aparecem em investigações federais, incluindo as operações Compliance Zero e Carbono Oculto, que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o mercado financeiro e o setor de combustíveis.

Registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que a Trustee, empresa fundada por Maurício Quadrado após sua saída da Planner — passou a administrar o fundo BLP PCJ VII, responsável pela compra dos direitos relacionados à ação que envolve servidores da Justiça do Trabalho de Rondônia e do Acre.

A revelação amplia o alcance das investigações ao conectar negociações financeiras milionárias a processos judiciais que incluem trabalhadores acreanos.

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