Aceitem: não haverá redenção, Neymar é narrativa, e o protagonismo tem de ser de Vini e Raphinha
O Brasil chega à Copa com duas referências no auge do futebol mundial, enquanto o principal nome da última geração se sustenta mais no discurso do que em qualquer evidência competitiva recente
Guilherme Silva
18/03/2026 às 18:47
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*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
Neymar Jr (Reprodução)
Existe um ponto em que o futebol encerra qualquer discussão paralela. O esporte em si impõe uma verdade seca, crua, e sem espaço para memória afetiva, idolatria ou projeção. A Seleção alcançou exatamente este ponto. E ele exige uma escolha simples: olhar para o que está acontecendo agora. Vinícius Júnior e Raphinha chegam à Copa como dois dos jogadores mais decisivos do planeta. Nem se trata aqui de apenas opinião. É de número, contexto, e performance em alto nível. Nesse quesito, a ideia obsessiva de Neymar na Copa mais atrapalha o projeto, além de ser um delírio coletivo.
VEJA O ATUALIZA JÁ ESPORTE DE HOJE (18/03)
Vini ultrapassa mais uma temporada acima de 24 participações em gols, com cerca de 8 assistências, sendo protagonista em jogos grandes pelo Real Madrid. Raphinha vive o auge da carreira, já passando dos 19 gols no ano, com impacto direto em praticamente todo jogo relevante do Barcelona. Esse tipo de produção cria hierarquia. E Copa do Mundo respeita hierarquia.
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Abrir em tela cheia Vini Jr.Reprodução/TNT Reprodução/raphinha Neymar celebra o gol contra o Sport.Raul Baretta/ Santos FC Neymar abriu o placar na vitória do Santos contra o Vitória.Raul Baretta/ Santos FC
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O Brasil precisa de dono
A Seleção sempre teve dono e sempre funcionou assim. Quando venceu, existia clareza sobre quem chamava a responsabilidade. A lembrança de Ronaldo Nazário e Rivaldo surge como referência simbólica. Outra era, outro futebol, outro tamanho de história. A ideia permanece intacta: o time precisa girar em torno de quem decide. Hoje, esse lugar pertence a Vini e Raphinha.
São eles que precisam receber a bola quando o jogo pesa. São eles que precisam transformar expectativa em gol. Jogador desse nível entra em Copa para resolver cedo, para marcar presença desde a fase inicial, para deixar evidente que o protagonismo tem endereço. Dois gols na largada vira quase uma obrigação implícita de quem chega com esse tamanho. A Seleção precisa respirar essa lógica.
Neymar virou uma ideia
Neymar deixou de ser analisado pelo que entrega em campo. O debate em torno dele migrou para outro território, onde o jogador passa a ser defendido ou atacado como conceito. A leitura do jornalista Marcelo Bechler define com precisão: Neymar hoje é ideologia. A lógica disso é que ideologia se alimenta de crença, ignora evidência, e seleciona recortes que confortam. Já o futebol faz o oposto disso.
O recorte recente mostra um jogador com baixa continuidade, minutagem controlada e impacto diluído. No retorno ao Santos, os números aparecem em jogos pontuais, contra adversários frágeis, sem sequência que sustente qualquer argumento de elite. Plataformas como Sofascore e Transfermarkt escancaram isso: poucos jogos completos, média de minutos reduzida, participação direta em gols concentrada em um volume muito pequeno de partidas. Copa do Mundo exige o extremo oposto disso.
O debate que constrange
A simples insistência nesse tema já expõe o descolamento da realidade. Para Carlo Ancelotti, um dos maiores técnicos da história, essa discussão carrega um constrangimento silencioso. É nítido que o assunto cresce pelo nome, pela força midiática, e pelo engajamento que gera. Assim, diante de um dos maiores treinadores da história, a discussão real sobre o futebol vira detalhe, e a formulação da ideia de um time sólido para o projeto é esvaziada e deturpada por um debate que só se sustenta por conta de viralização barata.
Neymar se transformou em pauta permanente. Um produto perfeito para a lógica das redes, onde relevância se mede por clique. Esse ruído contamina o ambiente, desloca o foco e cria uma pressão artificial que nada tem a ver com desempenho.
Copa não é palco de redenção pessoal
A sensação que se impõe é de uma tentativa de transformar a Copa em acerto de contas. Como se o torneio existisse para validar uma narrativa individual, e cada jogo fosse resposta à crítica, cobrança, e frustração acumulada. Esse tipo de movimento esvazia o coletivo.
Copa do Mundo é o auge do esporte. É o momento em que se escreve história com quem está preparado para sustentar o nível mais alto. Exige corpo pronto, ritmo competitivo, e capacidade de decidir sob pressão máxima. Nada disso se constrói na base do desejo. E Neymar quer estar lá porque está obcecado em calar a boca de inimigos que foram fabricados pelo ego dele. Sendo que esse inimigo , é ele mesmo.
A história já decidiu isso antes
O futebol brasileiro nunca tratou ninguém como indispensável. Ronaldinho Gaúcho ficou fora em alto nível. Kaká seguiu sem protagonismo quando o corpo já não respondia igual. Romário, mesmo sendo quem foi, também viu a fila andar. E olha que tinha bem mais condições físicas, estava atuando com protagonismo, e a história dele era maior também. Ou seja, a lógica sempre foi a mesma: o momento define. Nenhum nome esteve acima disso. Até Pelé teve esse momento. Por que Neymar seria tão acima de tudo isso?
Aceitar também é grandeza
Fato que Neymar ainda tem talento, produz lampejos, e carrega uma história que jamais será apagada. A questão gira em torno de outra coisa: o espaço de protagonismo mudou de dono. Insistir em uma redenção que o campo não sustenta cria um peso desnecessário. Para ele, para a Seleção, e para o torcedor. Alimenta uma expectativa que só desgasta, que só confunde, e só desvia o foco de onde ele deveria estar.
O Brasil precisa de jogadores no auge. Precisa de quem vive o presente em sua forma mais crua. Vini e Raphinha são esse presente. O resto é insistência em uma ideia que já perdeu sustentação.
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Tags:Copa do Mundo, Neymar, Raphinha, Seleção Brasileira, Vini Jr.
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Fonte: Portal Leo Dias

