AçĂșcar invisĂ­vel: o perigo silencioso escondido nos alimentos do dia a dia

Na semana do Dia Mundial da Obesidade, especialista alerta que produtos considerados “inofensivos”

Por Redação ContilNet 02/03/2026

Na semana em que se reforça o debate sobre o Dia Mundial da Obesidade, um alerta ganha ainda mais relevĂąncia: o consumo de “açĂșcar invisĂ­vel” pode estar diretamente ligado ao aumento de peso e ao avanço de doenças metabĂłlicas. Presente em alimentos industrializados sem sabor marcadamente doce, ele eleva o consumo diĂĄrio de açĂșcar sem que o consumidor perceba — contribuindo, de forma silenciosa, para o ganho de gordura corporal e para o desenvolvimento da obesidade.

Muitas pessoas acreditam que consomem pouco açĂșcar por evitarem doces e sobremesas. No entanto, esse tipo de açĂșcar, adicionado a produtos ultraprocessados, pode estar presente em refeiçÔes consideradas comuns ou atĂ© saudĂĄveis.

Segundo o nutricionista e docente da Afya Cruzeiro do Sul, Micael Dias, o problema Ă© cumulativo e tem impacto direto no metabolismo. “O açĂșcar invisĂ­vel Ă© aquele presente em produtos industrializados que nĂŁo tĂȘm gosto claramente doce. Ele aumenta a carga glicĂȘmica da alimentação de forma discreta, favorece picos repetidos de insulina e contribui para inflamação metabĂłlica”, explica.

Esses picos frequentes de insulina, segundo o especialista, estimulam o armazenamento de gordura corporal, especialmente na regiĂŁo abdominal, favorecendo o ganho de peso ao longo do tempo. “A longo prazo, esse processo pode acelerar o desenvolvimento de resistĂȘncia Ă  insulina, aumento de gordura visceral e obesidade”, acrescenta.

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Na prĂĄtica clĂ­nica, o profissional observa um padrĂŁo recorrente. “É comum o paciente dizer que quase nĂŁo consome doces, mas quando analisamos a rotina alimentar, encontramos açĂșcar adicionado em diversos produtos consumidos diariamente”, afirma.

Onde o açĂșcar estĂĄ escondido

Diversos itens considerados comuns na rotina alimentar podem conter açĂșcar adicionado. Entre eles estĂŁo molhos prontos, pĂŁo de forma, iogurtes light ou saborizados, granolas industrializadas, barras de cereal, cereais matinais, bebidas vegetais industrializadas, temperos prontos e sucos de caixinha. “O açĂșcar Ă© utilizado para melhorar sabor, textura e atĂ© conservação dos alimentos. Por isso, ele aparece mesmo quando o produto nĂŁo parece doce”, destaca Micael.

Outro fator que dificulta a identificação Ă© a variedade de nomenclaturas utilizadas nos rĂłtulos. Sacarose, glicose, frutose, dextrose, maltodextrina, xarope de glicose, xarope de milho, açĂșcar invertido, melado e concentrado de suco de fruta sĂŁo algumas das formas que indicam presença de açĂșcar adicionado. “Mesmo que a palavra ‘açĂșcar’ nĂŁo esteja explĂ­cita, essas denominaçÔes significam que hĂĄ açĂșcar no produto”, alerta o nutricionista.

Como identificar excesso no rĂłtulo

A orientação Ă© observar atentamente a tabela nutricional, especialmente a quantidade de açĂșcares totais e adicionados por porção. Produtos com mais de 10 gramas de açĂșcar por porção jĂĄ merecem atenção, segundo o especialista. TambĂ©m Ă© importante verificar o tamanho da porção indicada, que muitas vezes Ă© menor do que o consumo real. “Se o açĂșcar ou seus derivados aparecem entre os primeiros ingredientes da lista, isso indica maior concentração no produto”, explica.

De acordo com a Organização Mundial da SaĂșde (OMS), o consumo de açĂșcares livres deve ficar abaixo de 10% do valor calĂłrico diĂĄrio, sendo ideal manter abaixo de 5% para maiores benefĂ­cios metabĂłlicos. Na prĂĄtica, isso representa cerca de 25 a 50 gramas por dia para adultos, dependendo do gasto energĂ©tico. Para crianças, o limite Ă© ainda menor. “O problema Ă© que muitas pessoas ultrapassam essa recomendação sem perceber, principalmente por causa do açĂșcar invisĂ­vel”, ressalta.

A curto prazo, o consumo excessivo pode provocar picos de glicemia, queda de energia e aumento da fome, o que favorece maior ingestĂŁo calĂłrica ao longo do dia. Esse ciclo contribui para o ganho de peso progressivo.

No longo prazo, o excesso estĂĄ associado a resistĂȘncia Ă  insulina, acĂșmulo de gordura visceral, esteatose hepĂĄtica, diabetes tipo 2, alteraçÔes no colesterol, maior risco cardiovascular e obesidade. “AlĂ©m disso, o excesso de açĂșcar contribui para um estado de inflamação metabĂłlica crĂŽnica, que estĂĄ por trĂĄs de diversas doenças modernas”, afirma Micael.

Redução sem radicalismo

Para diminuir o consumo sem medidas extremas, o nutricionista recomenda substituiçÔes simples e sustentĂĄveis: trocar sucos industrializados por frutas in natura, optar por iogurte natural com frutas, reduzir gradualmente o açĂșcar do cafĂ©, preferir molhos caseiros, utilizar cacau 100% no lugar de achocolatados e evitar bebidas açucaradas. “A mudança nĂŁo precisa ser radical, mas estratĂ©gica. Quando aumentamos o consumo de fibras, proteĂ­nas adequadas e alimentos minimamente processados, a glicemia se estabiliza, a saciedade melhora e a vontade por açĂșcar diminui naturalmente”, conclui.

Assessoria

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