Afinal, aiatolá é a mesma coisa que presidente? A resposta é não. Embora ambos exerçam funções centrais no Irã, o cargo mais poderoso do país não é o de presidente, mas sim o de líder supremo — tradicionalmente ocupado por um aiatolá de alta hierarquia religiosa.
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A dúvida ganhou ainda mais força após a morte de Ali Khamenei, que ocupava o posto de líder supremo desde 1989 e era a principal autoridade política e religiosa da República Islâmica.
Com sua ausência, o país entra em um momento decisivo de sucessão, em meio a tensões internas e pressão internacional.
O termo “aiatolá” é um título concedido a clérigos do islamismo xiita que atingem elevado grau de conhecimento na interpretação da lei islâmica. No Irã, porém, a palavra costuma ser associada diretamente ao posto máximo do sistema político: o líder supremo da República Islâmica.
Quem manda de fato?
O líder supremo é a autoridade máxima do país. Ele está acima do presidente, do Parlamento e do Judiciário. Entre suas atribuições estão o comando das Forças Armadas, a definição das diretrizes gerais do Estado, a nomeação de cargos estratégicos e a palavra final sobre temas considerados sensíveis, como política externa e defesa.
Já o presidente do Irã é eleito pelo voto popular para um mandato de quatro anos, com possibilidade de uma reeleição consecutiva. Ele é responsável pela administração cotidiana do governo, coordena ministérios, propõe políticas econômicas e representa o país em compromissos internacionais.
No entanto, suas decisões não podem contrariar as orientações estabelecidas pelo líder supremo.
Como funciona o sistema iraniano
O modelo político do Irã foi estabelecido após a Revolução Islâmica de 1979. Desde então, o país combina instituições republicanas — como eleições presidenciais e Parlamento — com uma estrutura teocrática, na qual a autoridade religiosa tem poder decisivo.
Com a morte de Ali Khamenei, que ocupava o cargo de líder supremo desde 1989, o país entra em um momento delicado. A escolha do sucessor cabe à Assembleia dos Peritos, órgão composto por clérigos eleitos que têm a responsabilidade de indicar e supervisionar o líder supremo.
A sucessão ocorre em meio a tensões regionais e pressão internacional, o que aumenta a relevância do cargo e reforça a diferença fundamental: no Irã, o presidente governa, mas quem dá a palavra final é o líder supremo.
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