Anvisa aprova tratamento para evitar sangramentos em hemofĂ­licos

Por AgĂȘncia Brasil 06/03/2026


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AgĂȘncia Nacional de VigilĂąncia SanitĂĄria (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento de hemofilia no Brasil. Indicado para pacientes a partir de 12 anos, o QFITLIAÂź (fitusirana sĂłdica), da empresa Sanofi Medley, poderĂĄ ser usado para prevenir ou reduzir episĂłdios de sangramento em pacientes com hemofilia A ou B, com ou sem inibidores dos fatores de coagulação VIII ou IX.ebcebc

Dados do Perfil de Coagulopatias, publicado pelo MinistĂ©rio da SaĂșde em 2024, apontam que o Brasil tem 14.202 pacientes diagnosticados com hemofilia. Destes, 11.863 apresentam hemofilia A e 2.339 tĂȘm hemofilia B.

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Segundo a Anvisa, o medicamento teve prioridade na anålise porque a hemofilia é considerada uma doença rara, resultado de uma condição genética que afeta a capacidade do corpo de estancar sangramentos. Devido à ligação com o cromossomo X, a hemofilia se manifesta quase exclusivamente em homens.

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Hemofilia

A doença ocorre pela deficiĂȘncia de proteĂ­nas essenciais no sangue, conhecidas como fatores de coagulação: enquanto o tipo A (falta do fator VIII) Ă© o mais comum, o tipo B (falta do fator IX) atinge uma parcela menor da população. Sem a produção adequada de trombina, enzima fundamental para a cicatrização de feridas, o organismo nĂŁo consegue formar coĂĄgulos eficazes, o que pode gerar episĂłdios hemorrĂĄgicos persistentes.

A gravidade da doença varia conforme o nível de atividade desses fatores no sangue. Pessoas com quadros graves podem sofrer hemorragias espontùneas, enquanto nos casos leves, os sangramentos surgem geralmente após traumas ou cirurgias.

“O maior desafio clĂ­nico reside nas articulaçÔes e mĂșsculos, locais onde as hemorragias sĂŁo mais frequentes, embora qualquer ĂłrgĂŁo possa ser comprometido. O diagnĂłstico precoce e o monitoramento constante sĂŁo fundamentais para evitar danos crĂŽnicos e garantir a qualidade de vida dos pacientes”, explica a Anvisa.

Para a presidente da Federação Brasileira de Hemofilia (FBH), Tania Maria Onzi Pietrobelli, a fitusirana sódica, aguardada hå tempos pela comunidade de hemofilia, trarå mais qualidade de vida tanto para pacientes como para familiares, jå que é uma forma menos invasiva, por ser de aplicação subcutùnea e de longa duração, diferente de aplicaçÔes frequentes e endovenosas.

Os protocolos atuais exigem infusĂ”es de trĂȘs a quatro vezes por semana. Com a fitusirana sĂłdica, a frequĂȘncia Ă© de uma dose a cada dois meses.

“Como a hemofilia Ă© uma condição crĂŽnica, isso limita a qualidade de vida dos pacientes e familiares. Com essa nova tecnologia as pessoas poderĂŁo viver sem focar na doença, tendo o direito de viver plenamente”, ressaltou a presidente da FBH.

TĂąnia Maria diz que o resultado da aprovação do medicamento no Brasil é uma maior autonomia para pacientes e familiares, e tambĂ©m melhora no fluxo de pacientes no sistema de saĂșde, melhorando a logĂ­stica e diminuindo a sobrecarga nos centros de tratamento de hemofilia, “permitindo assim um tratamento e atendimento personalizado”.

A presidente da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia, Mariana Battazza, destacou que o uso da fitusirana sódica não permite que os pacientes tenham melhor adesão ao tratamento, assegurando um melhor resultado.

“Atualmente, o que percebemos em nossa pesquisa Jornada dos pacientes com hemofilia A e B no Brasil é que o desfecho dos tratamentos com fator de coagulação sĂŁo piores do que o imaginado porque as barreiras de adesĂŁo ao tratamento sĂŁo muito grandes”, destaca.

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