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“Cancão de Fogo” não espera abril e já monta seu tabuleiro na nova Corte

Por Wania Pinheiro, ContilNet

E essa caneta, em poucos dias, terá nome e sobrenome.E essa caneta, em poucos dias, terá nome e sobrenome.

E essa caneta, em poucos dias, terá nome e sobrenome | Foto: IA

A movimentação nos bastidores do poder, às vésperas da ascensão de Mailza Assis ao comando do Palácio Rio Branco, revela um fenômeno clássico da política: a antecipação do poder. Antes mesmo da caneta oficial assumir o protagonismo, já há uma corrida silenciosa, e, em alguns casos, nem tão discreta por espaços na futura engrenagem governamental.

No centro dessa articulação, surge uma figura que, embora não ocupe formalmente o topo da hierarquia, atua como se estivesse desenhando boa parte dela: o enigmático e já comentado “Cancão de Fogo”. Astuto, ágil e com faro político apurado, ele representa aquele tipo de operador que se antecipa aos movimentos institucionais e tenta moldar o cenário antes que ele se consolide.

O “Cancão de Fogo” não trabalha sozinho. Ao seu redor, gravita um grupo bem estruturado, com listas, nomes e até esboços de ocupação de cargos no primeiro e segundo escalão. Trata-se de uma engenharia política que mistura expectativa, ambição e, sobretudo, influência. Nesse ambiente, até mesmo as chamadas “cequezinhas”, cargos menores, mas estratégicos, viraram objeto de disputa intensa, evidenciando o apetite generalizado por espaço no novo governo.

O problema não está, necessariamente, na articulação política em si, ela é inerente ao processo democrático. A preocupação reside no método e na velocidade com que essas movimentações vêm ocorrendo. Há uma clara tentativa de ocupar territórios antes mesmo que a futura governadora possa imprimir, de fato, a sua marca administrativa.

E é justamente aí que entra o ponto central: Mailza Assis construiu, ao longo de sua trajetória, uma imagem de equilíbrio, discrição e firmeza. Não há registros que maculem sua conduta. Ao contrário, sua reputação é de alguém que sabe ouvir, mas que também sabe decidir. E decidir, neste momento, será essencial.

Porque o risco é evidente. Figuras como o “Cancão de Fogo” costumam prosperar em ambientes de transição, onde há mais expectativa do que controle. São operadores que atuam nos bastidores, muitas vezes acumulando poder informal, criando compromissos e estabelecendo vínculos que, depois, podem cobrar seu preço.

Ao lado dele, os chamados “Rasputins”, conselheiros persistentes e, por vezes, difíceis de afastar, reforçam a ideia de que há um núcleo tentando se consolidar como indispensável. E, como a história política mostra, núcleos assim raramente largam o poder de forma voluntária.

Enquanto isso, o atual ciclo comandado por Gladson Camelí caminha para o encerramento. E nem mesmo o tempo de transição parece estar sendo respeitado por aqueles que já se comportam como donos da próxima fase.

É legítimo que haja renovação. É até esperado que nomes sejam substituídos, especialmente aqueles que, ao longo dos anos, entregaram mais discurso do que resultado, muito “gogó” e pouca efetividade administrativa. Também é justo questionar gestores que transformaram viagens custeadas pelo erário em rotina sem retorno concreto para a população.

Mas a condução dessas mudanças precisa partir de uma única fonte: a própria governadora.

O dia 2 de abril não será apenas uma formalidade institucional. Será um teste de autoridade. Um momento em que Mailza Assis terá a oportunidade de mostrar que o governo que se inicia não será refém de articulações paralelas nem de listas pré-fabricadas.

Se há um conselho que ecoa com força nos bastidores, é simples e direto: atenção ao “Cancão de Fogo”. Sua habilidade pode ser útil, mas seu ímpeto pode ser perigoso. Em política, quem se antecipa demais, muitas vezes, revela mais do que deveria, inclusive suas intenções.

No fim das contas, o verdadeiro poder não está em quem monta listas antes da hora, mas em quem tem a legitimidade da caneta e a responsabilidade de usá-la com competência .

E essa caneta, em poucos dias, terá nome e sobrenome.

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