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Caso Géssica: 29 anos da morte de menina que virou nome de rua após crime no Acre

Por Redação ContilNet

A história por trás do caso que chocou Rio Branco

A história por trás do caso que chocou Rio Branco | Foto: Reprodução

Na manhã de 23 de março de 1997, o que parecia ser apenas mais um dia comum para uma família em Rio Branco terminou em uma das tragédias mais marcantes da história do Acre. A pequena Géssica Silva, de apenas quatro anos, desapareceu poucas horas depois de se despedir da mãe, que havia saído para trabalhar. O caso mobilizou a polícia, comoveu moradores e se transformou em um símbolo de luta por justiça no estado.

Antes de sair de casa, a mãe da menina organizou as tarefas do dia e explicou à filha mais velha que não poderia levá-la junto ao serviço. A criança ficou em casa com o pai e um conhecido da família que estava no local naquela manhã. Pouco depois, Géssica pediu para comprar um picolé. O visitante se ofereceu para acompanhá-la até a rua principal, atitude que parecia apenas um gesto de ajuda, mas que acabou sendo a última vez que a menina foi vista com vida.

Horas depois, ao retornar para casa, a mãe percebeu que a filha não estava no portão, como costumava acontecer. O estranhamento rapidamente virou desespero. A família procurou a polícia, que iniciou buscas ainda naquela noite. Durante as primeiras investigações, os agentes identificaram contradições no relato do homem que havia saído com a criança e passaram a tratá-lo como principal suspeito.

 

Pressionado pelos investigadores ao tentar deixar a cidade, o suspeito confessou participação no desaparecimento e revelou o envolvimento de um comparsa. Dois dias após o crime, o corpo da menina foi encontrado em uma área de mata, encerrando as buscas e confirmando a gravidade do caso. A descoberta causou forte comoção e revolta entre os moradores, que acompanharam cada etapa da investigação.

O desaparecimento que terminou em comoção e justiça | Foto: Reprodução

Seis meses depois, os acusados foram levados a julgamento pelo Tribunal do Júri. Apesar de tentarem mudar versões apresentadas anteriormente, o Ministério Público sustentou que as provas reunidas, incluindo depoimentos, perícias e confissões, demonstravam a responsabilidade dos dois homens. Os jurados concordaram e os condenaram por homicídio e estupro, com penas superiores a 35 anos de prisão em regime fechado.

As defesas recorreram da decisão alegando falhas no julgamento e inocência dos réus, mas o Tribunal de Justiça manteve a sentença de forma unânime, afirmando que havia provas suficientes da autoria e da materialidade do crime. Assim, a condenação foi confirmada e o caso parecia definitivamente encerrado pela Justiça.

O crime que parou o Acre completa quase três décadas | Foto: Reprodução

Anos depois, porém, uma nova reviravolta surgiu. Um dos condenados, antes de morrer dentro da prisão em 2004, apresentou outra versão dos fatos em entrevista e em uma carta, afirmando ter agido sozinho e inocentando o comparsa. Com base nessas declarações, foi solicitado um novo exame judicial do processo, mas os desembargadores entenderam que as alegações não eram confiáveis o suficiente para mudar a decisão já tomada.

Com a negativa da revisão criminal, o caso foi oficialmente encerrado pela Justiça. Mesmo após quase três décadas, a história de Géssica permanece viva na memória coletiva do Acre. Como forma de homenagem, uma rua de Rio Branco recebeu o nome da menina, lembrando a todos de uma vida interrompida cedo demais e da importância da busca por justiça.

Com informações TJAC

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