O cinema feito no Acre ganha um novo e poderoso aliado que vai além das lentes das câmeras. O cineasta e mestre em Educação, Arte e História da Cultura, Francisco Teddy Falcão, está consolidando uma trajetória que une a sétima arte à tecnologia de ponta. Através da plataforma Dados Negros (dadosnegros.org), o realizador acreano busca construir pontes entre as experiências locais e a visibilidade global, garantindo que a memória das populações tradicionais e negras da Amazônia não se perca no tempo.
Plataforma criada por Teddy Falcão/ Foto: Reprodução
Teddy Falcão, que possui uma caminhada de quase 16 anos no Cineclube Opiniões e no Conselho Nacional de Cineclubes, entende o audiovisual como um instrumento de luta. Para ele, produzir no Acre é um exercício de reinvenção diária. Sem os grandes incentivos dos centros do país, o cineasta e sua equipe transformam a escassez em criatividade, investindo recursos próprios e buscando capacitação contínua para colocar o estado no mapa do cinema nacional.
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Inovação e Digitalização
Um dos grandes diferenciais do trabalho de Teddy é o desenvolvimento de um sistema multiplataforma voltado para a preservação e digitalização do acervo audiovisual acreano. A iniciativa visa democratizar o acesso público e salvar registros históricos que correm o risco de deterioração. Esse compromisso com a memória também se reflete na plataforma “Dados Negros”, que se apresenta como um hub de informações e visibilidade para a negritude amazônida.
Cinema com Propósito
A filmografia de Teddy é um manifesto de pertencimento. Obras como “Francisco” (2017) e a recente animação “Como eu descobri minha cor” (2024) tratam de temas sensíveis como o luto, a identidade e a reconstrução da imagem negra em território verde. Esse impacto já colhe frutos: a animação “O Menino e o Rio” (2025), inspirada em suas memórias de infância e produzida por seus alunos, representou o Acre em Brasília, provando que a formação de novos talentos é uma de suas prioridades.
Próximo Lançamento
O público acreano poderá conferir mais um capítulo dessa luta criativa, com a estreia do curta-metragem “Minha Pele Preta em Terra Verde”. A obra promete aprofundar o debate sobre a presença cultural negra no estado, reafirmando que, apesar dos desafios logísticos e financeiros, o cinema feito no Acre é vibrante, necessário e, acima de tudo, resistente.
Para conhecer mais sobre o projeto e o acervo, acesse: dadosnegros.org.

