A habilidade extraordinária dos gatos de se reorientarem no ar e aterrissarem com precisão sobre as quatro patas fascina a humanidade há séculos. Agora, em 2026, pesquisadores da Universidade de Yamaguchi, no Japão, trouxeram uma peça fundamental para resolver esse quebra-cabeça biológico.
O estudo revela que o segredo não está apenas no equilíbrio, mas em uma diferença mecânica crucial entre as partes da coluna vertebral do felino.
Liderada pelo fisiologista veterinário Yasuo Higurashi, a equipe descobriu que a coluna torácica (metade frontal) e a coluna lombar (metade posterior) possuem níveis de flexibilidade e rigidez drasticamente diferentes, permitindo que o gato gire o corpo em etapas sequenciais durante a queda.
A mecânica da coluna vertebral
Através de testes biomecânicos, os cientistas perceberam que a coluna torácica dos gatos possui uma amplitude de movimento cerca de três vezes maior que a da coluna lombar.
Enquanto a parte da frente é extremamente flexível e gira com facilidade, a parte traseira é mais rígida, funcionando como uma âncora que auxilia na finalização do movimento de rotação.
Estudo japonês utilizou câmeras de alta velocidade para mapear o giro da coluna felina | Foto: Reprodução / Universidade de Yamaguchi
O giro em duas etapas
Ao analisar gatos vivos com câmeras de alta velocidade, a pesquisa confirmou que o animal não gira o corpo como uma peça única. Em vez disso:
-
A metade dianteira gira primeiro: Graças à coluna torácica flexível e à menor massa da parte frontal.
-
A metade traseira segue o movimento: Ocorre um intervalo de aproximadamente 70 a 90 milissegundos entre o giro das duas partes.
Essa anatomia especializada contradiz a percepção visual de um movimento fluido e mostra que a evolução moldou a coluna felina para agir como um sistema de torção independente.
Além das quedas
Essa característica não serve apenas para aterrissagens. Segundo os pesquisadores, a flexibilidade variável da coluna é o que confere aos gatos sua agilidade incomparável em galopes e curvas fechadas em alta velocidade.
“As diferenças na flexibilidade do tronco afetam diretamente o desempenho locomotor”, concluíram os autores no artigo publicado recentemente.
Fonte: O Globo
Redigido por ContilNet

