Após quase uma década transformando vidas por meio da música, o Conservatório de Música do Juruá encerrou suas atividades nesta semana em Cruzeiro do Sul, deixando dezenas de crianças, adolescentes e famílias em luto. O projeto, considerado um dos mais importantes espaços de formação musical gratuita do interior do Acre, não conseguiu renovar os incentivos e patrocínios necessários para continuar funcionando.
A notícia surpreendeu pais e alunos e gerou forte comoção. Para muitos jovens, o conservatório era mais do que um local de aprendizado musical: representava um ambiente de acolhimento, disciplina e construção de autoestima em meio às vulnerabilidades sociais do Vale do Juruá.
Cristiane Farias, mãe de um dos alunos, relatou o impacto da decisão. “A música transforma, muda o comportamento, traz confiança e responsabilidade. Meu filho mudou não só musicalmente, mas como pessoa. Cruzeiro do Sul está perdendo um grande projeto”, afirmou. Ela também destacou a dedicação dos professores e a importância das aulas gratuitas, que incluíam coral, guitarra, teclado, violão e piano.
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O projeto foi idealizado pelo promotor de Justiça Iverson Bueno, com apoio do Ministério Público do Estado do Acre, além de instituições como o 61º Batalhão de Infantaria de Selva, a Sociedade Eunice Weaver e a Diocese local. Criado em 2016 e inaugurado em 2017, o conservatório funcionava em um espaço amplo que foi revitalizado para atender à comunidade.
Conservatório formou mais de mil músicos. — Foto: Reprodução
Ao longo de sua trajetória, mais de mil alunos passaram pelo projeto, muitos deles em situação de vulnerabilidade social. Alguns ganharam destaque nacional, com participações em programas como o The Voice Brasil, além da formação de grupos musicais locais reconhecidos.
Apesar dos resultados expressivos e do reconhecimento institucional, o encerramento ocorreu após o fim do contrato e a falta de novos recursos. Parte dos professores foi realocada para o 61º BIS, e o imóvel será devolvido à Diocese.
Com o fechamento, Cruzeiro do Sul passa a não contar mais com uma escola de música estruturada e gratuita, restando apenas iniciativas particulares. Para Ana Paula Carvalho, mãe de dois alunos, a perda vai além da educação musical. “Foi mais que aulas: era um lar, um lugar de sonhos”, lamentou.

