Vendas do comércio atingem recorde impulsionadas por crédito e emprego

Por Redação ContilNet 11/03/2026 Atualizado: hĂĄ 1 mĂȘs


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A oferta de crédito à pessoa física e o patamar historicamente baixo do desemprego são fatores que explicam o recorde nas vendas do comércio varejista, mesmo em um ambiente de juros altos.ebcebc

A anålise é do gerente da Pesquisa Mensal de Comércio, Cristiano Santos, a partir dos dados divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.

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Em janeiro, o volume de vendas cresceu 0,4% na comparação com dezembro, resultado que deixou o setor no patamar mais alto jå registrado, igualando o nível de novembro de 2025.

O segmento de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo teve o mesmo desempenho e cresceu 0,4% na passagem de dezembro para janeiro, totalizando o maior patamar de vendas jå registrado pela pesquisa do IBGE.

A atividade é considerada o principal termÎmetro do comércio, com peso de 55,2% no total do varejo.

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Recordes no mercado de trabalho

Ao comentar os resultados, o gerente da pesquisa destacou o impulso à economia proporcionado pelo mercado de trabalho. Santos citou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de DomicĂ­lios (Pnad), tambĂ©m do IBGE, que mostram crescimento de 2,9% da massa salarial em janeiro, em comparação ao mĂȘs anterior.

Com patamar recorde de R$ 370,3 bilhÔes, a massa salarial é o total de rendimentos recebidos pelo conjunto de trabalhadores.

AlĂ©m disso, a taxa de desemprego de 5,4% no trimestre encerrado em janeiro Ă© a menor jĂĄ apurada. O nĂșmero de pessoas ocupadas, 102,7 milhĂ”es, tambĂ©m Ă© recorde para o perĂ­odo.

Crédito em expansão

O analista do IBGE chamou atenção também para o estímulo proporcionado pelo crédito. Em janeiro, a oferta à pessoa física cresceu 1,6% na comparação com dezembro.

A expansão acontece a despeito de a taxa båsica de juros, a Selic, estar em 15% ao ano (a.a.), o maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 15,25%.

“O crĂ©dito continua em crescimento. Tende a sustentar uma expansĂŁo do comĂ©rcio ou uma manutenção em um patamar alto”, disse. “A taxa de juros nĂŁo teve como resultado uma queda no crĂ©dito da pessoa fĂ­sica”, constata o pesquisador.

Ele pondera que os emprĂ©stimos para a aquisição de veĂ­culos recuaram 6,2% no perĂ­odo, mas faz a ressalva de que o “principal elemento do crĂ©dito para o comĂ©rcio Ă© o crĂ©dito da pessoa fĂ­sica”.

Explicação dos juros altos

A taxa Selic em nĂ­vel elevado é uma resposta do ComitĂȘ de PolĂ­tica MonetĂĄria (Copom) do Banco Central (BC) Ă  inflação, que passou praticamente todo o ano de 2025 fora da meta de 3% a.a., com tolerĂąncia de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos no acumulado de 12 meses.

A Selic influencia todas as demais taxas de juros do país e, quando elevada, age de forma restritiva na economia, ou seja, encarece operaçÔes de crédito e desestimula investimentos e consumo.

O impacto esperado é a menor procura por produtos e serviços, esfriando a inflação. O efeito colateral é que a economia em marcha lenta tende a diminuir a geração de empregos.


EdifĂ­cio-Sede do Banco Central em BrasĂ­lia

EdifĂ­cio-Sede do Banco Central em BrasĂ­lia – Marcello Casal JrAgĂȘncia Brasil

ConcorrĂȘncia

Na avaliação da professora de economia da faculdade Ibmec-RJ, Gecilda Esteves, o fato de o crĂ©dito Ă  pessoa fĂ­sica manter a expansĂŁo, nadando contra a corrente da Selic alta, Ă© explicado pela concorrĂȘncia entre instituiçÔes financeiras e maior bancarização da economia.

Ela aponta a proliferação das chamadas fintechs, empresas que utilizam tecnologia avançada para oferecer serviços financeiros digitais.

“Com o surgimento das fintechs, esse processo de digitalização bancĂĄria, a gente tem mais bancos e, portanto, mais capacidade de oferta de recursos”, disse à AgĂȘncia Brasil.

“Obviamente, com mais oportunidades de oferta, a tendĂȘncia Ă© que haja uma melhor distribuição desses recursos”, completou.

Na avaliação da economista, a criação de fintechs e a expansão de instituiçÔes financeiras que concedem crédito favorece a inclusão bancåria.

“Aumenta a possibilidade de mais pessoas terem acesso a instituiçÔes financeiras e, com isso, mais acesso, mais recurso circulante, maior Ă© tambĂ©m a possibilidade de elas terem interesse em obter crĂ©dito”, afirma.

Outro elemento que contribui para o barateamento do crĂ©dito, acrescenta, Ă© o Open Finance (sistema financeiro aberto, em tradução livre do inglĂȘs), sistema em que os clientes permitem que a instituição financeira tenha acesso a informaçÔes pessoais referentes a outros bancos.

“Open Finance traz para as instituiçÔes financeiras uma capacidade melhor de analisar riscos e, com isso, identificar se aquele potencial cliente Ă© um cliente que gera mais risco de inadimplĂȘncia ou nĂŁo pelo seu histĂłrico bancĂĄrio”, detalha.

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