Uma criança indígena de 1 ano e 11 meses morreu na tarde de sábado (14) enquanto era transportada em uma aeronave para atendimento médico especializado. A menina, pertencente ao povo Yanomami, havia sido retirada de sua comunidade após apresentar um quadro clínico considerado grave, com sinais de desnutrição severa e doenças infecciosas.
O óbito ocorreu por volta das 17h30, quando o avião já se aproximava da cidade de Boa Vista. Informações do atestado de óbito indicam que a criança pesava apenas 6,1 quilos e apresentava insuficiência respiratória associada à síndrome de Loeffler, reação pulmonar provocada por parasitas, além de ascaridíase, doença causada por vermes intestinais.
Registros médicos utilizados para solicitar o transporte aéreo também apontavam sinais de desidratação, além de diagnóstico de malária e desnutrição grave.
Remoção ocorreu após agravamento do quadro
Segundo relato de Waihiri Hekurari Yanomami, presidente da Urihi Associação Yanomami, a criança havia sido retirada da comunidade dois dias antes e levada para atendimento em uma unidade de saúde localizada no Polo Base de Surucucu. Ela permaneceu no local sob observação médica enquanto era avaliada a necessidade de transferência.
De acordo com o líder indígena, a equipe de saúde decidiu solicitar o transporte para atendimento em hospital após constatar a gravidade do quadro clínico.
“A criança estava muito doente, com malária, desnutrição, desidratação e vomitando. Foi solicitado o voo para levar para Boa Vista”, relatou.
Espera pelo resgate
Ainda segundo o presidente da associação, o pedido para a aeronave de remoção teria sido registrado no final da manhã de sábado, mas o transporte só ocorreu horas depois, no meio da tarde.
Durante o deslocamento para atendimento hospitalar, a criança não resistiu às complicações e morreu ainda dentro da aeronave. O corpo foi levado de volta à comunidade no domingo (15).
Preocupação nas comunidades
Após o caso, lideranças indígenas voltaram a manifestar preocupação com a situação de saúde nas aldeias. Segundo Hekurari, outras mortes de crianças foram registradas recentemente em circunstâncias semelhantes.
“Não era para estar morrendo mais nenhuma criança Yanomami por doenças simples, como vermes, diarreia ou malária. O governo mandou muitos recursos para proteger o povo Yanomami, mas esses recursos não estão chegando dentro da terra indígena”, afirmou.
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O território do povo Yanomami se estende por uma área de aproximadamente 10 milhões de hectares, onde vivem mais de 31 mil indígenas distribuídos em centenas de comunidades. A região enfrenta uma crise sanitária desde 2023, quando o governo federal declarou emergência em saúde e iniciou ações emergenciais para ampliar o atendimento médico e combater problemas como a presença de garimpo ilegal.

