Cursos de “Bombeiro Mirim” viram alvo de investigação no Acre; saiba mais

Investigação aponta possíveis irregularidades em treinamentos com menores e avança para inquérito civil

Por Anne Nascimento, ContilNet 26/03/2026 Ă s 16:52 Atualizado: hĂĄ 3 semanas

Uma empresa que oferecia cursos de “Bombeiro Mirim” e treinamento militar para crianças de atĂ© 4 anos entrou na mira do MinistĂ©rio PĂșblico do Acre (MPAC), que decidiu aprofundar as investigaçÔes mesmo apĂłs a suspensĂŁo das atividades. As informaçÔes constam na edição desta quinta-feira (26) do diĂĄrio eletrĂŽnico  oficial do ĂłrgĂŁo, que determinou a conversĂŁo do caso em inquĂ©rito civil.

A apuração começou apĂłs denĂșncias de que a empresa promovia atividades como instruçÔes de primeiros socorros e combate a incĂȘndios para crianças e adolescentes “sem qualquer vĂ­nculo com ĂłrgĂŁos de controle e fiscalização”. Inicialmente tratado como procedimento preparatĂłrio, o caso avançou diante de indĂ­cios considerados relevantes.

Segundo o MP, apesar de a empresa alegar que oferecia apenas “cursos livres”, ainda existem dĂșvidas importantes sobre a legalidade e a segurança das atividades. O documento destaca que esse tipo de classificação “nĂŁo exime o prestador de serviços de observar as normas de proteção ao consumidor” nem, principalmente, as regras de proteção Ă  infĂąncia.

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Outro ponto que chamou atenção foi o pĂșblico atendido: crianças a partir de 4 anos participavam de treinamentos com potencial risco. Para o ĂłrgĂŁo, atividades envolvendo tĂ©cnicas de combate a incĂȘndio e primeiros socorros exigem qualificação tĂ©cnica rigorosa e protocolos de segurança, o que ainda serĂĄ verificado.

Mesmo com a informação de que as aulas foram suspensas apĂłs intervenção do MP em 2024, a investigação nĂŁo foi encerrada. O prĂłprio despacho Ă© claro ao afirmar que “o mero encerramento de atividades potencialmente irregulares nĂŁo elide a responsabilidade de apuração dos fatos”, sob risco de gerar impunidade.

AlĂ©m disso, hĂĄ registro de reclamaçÔes de consumidores e ausĂȘncia de respostas da empresa a pedidos formais de informaçÔes, o que reforçou a necessidade de aprofundar a apuração.

O MinistĂ©rio PĂșblico quer agora esclarecer uma sĂ©rie de pontos, como:

  • Se houve exposição de crianças a situaçÔes de risco;
  • Se os instrutores tinham qualificação adequada;
  • Se houve cobrança por serviços nĂŁo prestados;
  • E se consumidores foram devidamente informados sobre os cursos.

Também serå investigado se houve acidentes, irregularidades ou até necessidade de ressarcimento às famílias.

Com a conversão em inquérito civil, o MP passa a ter mais instrumentos para avançar no caso, incluindo a possibilidade de responsabilização e até ação judicial, caso sejam confirmadas irregularidades.

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