Uma investigação da Polícia Federal trouxe à tona um esquema de corrupção que compromete a cúpula da segurança em Alagoas.
Segundo delação premiada obtida pela PF e divulgada nesta quarta-feira (25/03), o delegado-geral da Polícia Civil do estado, Gustavo Xavier do Nascimento, teria deixado de prender fraudadores de concursos para se tornar beneficiário do esquema, incluindo parentes e amigos na lista de aprovados ilícitos.
O delator Thiago José de Andrade, apontado como chefe da organização, afirmou que Xavier descobriu o esquema quando ainda era delegado em Arapiraca (AL). Em vez de cumprir o mandado de prisão, o delegado teria exigido que o grupo passasse a trabalhar para ele.
Ponto Eletrônico e Prova em Branco
O caso mais chocante envolve a esposa do delegado, Ayally Xavier. De acordo com a PF, ela tentou uma vaga para delegada da Polícia Civil de Alagoas utilizando um ponto eletrônico para receber as respostas.
O plano falhou quando o equipamento apresentou defeito, resultando em uma prova entregue totalmente em branco pela candidata.
A estrutura criminosa funcionava com métodos sofisticados:
Com informações do G1.
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Candidatos Fantasmas: Pessoas pagas para fazer a prova no lugar dos inscritos.
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Venda de Gabaritos: Acesso antecipado a cadernos de questões com valores que chegavam a R$ 500 mil.
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Rede de Apoio: Professores eram contratados para resolver as provas em tempo real e transmitir as respostas.
Bastidores e Prisões
As ordens de Xavier seriam transmitidas por homens de confiança, como o investigador Ramon Isidoro Soares Alves. Na última fase da operação, a PF cumpriu mandados em Alagoas, Paraíba e Pernambuco.
Até o momento, a defesa do delegado Gustavo Xavier não foi localizada para comentar as acusações. O governo de Alagoas ainda não se manifestou sobre a permanência do delegado no cargo após a divulgação da reportagem do Fantástico.

