Diagnóstico da filha leva médico a criar centro que atende crianças com autismo no Acre

No início, o centro atendia 22 crianças, mas a demanda cresceu rapidamente

Médico que criou centro que atende crianças com autismo no Acre foi entrevistado pelo Canal Autismo
Médico que criou centro que atende crianças com autismo no Acre foi entrevistado pelo Canal Autismo/Foto: Reprodução

Uma iniciativa surgida a partir da experiência pessoal de um pai tem ajudado a ampliar o atendimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no interior do Acre. A história foi contada em reportagem do Canal Autismo, produzida pelo jornalista Francisco Paiva Jr., que entrevistou o médico Mazinho Maciel sobre o projeto criado após o diagnóstico da própria filha.

Morador de Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá, a cerca de 600 quilômetros de Rio Branco, Mazinho viu sua rotina mudar completamente quando descobriu que a filha Lara, hoje com 10 anos, estava dentro do espectro autista. Assim como muitas famílias que vivem longe dos grandes centros, ele enfrentou dificuldades para encontrar profissionais especializados e acesso ao diagnóstico.

Para confirmar o quadro da filha, o médico precisou buscar atendimento em Brasília. Depois da confirmação, decidiu retornar ao Acre com a ideia de estruturar um acompanhamento adequado para Lara. Inicialmente, o atendimento foi organizado dentro da própria casa, com uma equipe multidisciplinar voltada para o desenvolvimento da menina.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado em três níveis de suporte/apoio

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado em três níveis de suporte/apoio/Foto: Reprodução

O que começou como uma solução familiar acabou se transformando em um projeto maior. A iniciativa passou a atender também outras crianças da região e deu origem ao Centrin — Centro de Estimulação Neuropsicomotora. O serviço foi criado em parceria com a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e rapidamente ganhou dimensão.

No início, o centro atendia 22 crianças, mas a demanda cresceu rapidamente. Em pouco tempo, o número chegou a 120 famílias e depois se expandiu para outros municípios do Acre. Em determinado período, três unidades funcionavam simultaneamente e chegaram a oferecer atendimento a cerca de 500 famílias, a maioria de baixa renda.

O trabalho ganhou visibilidade nacional após ser divulgado nas redes sociais pelo apresentador Marcos Mion, conhecido por defender a causa do autismo.

Durante a entrevista ao Canal Autismo, Mazinho também falou sobre os desafios de estruturar serviços públicos voltados ao atendimento de pessoas com TEA, especialmente em regiões mais afastadas. Ele destacou ainda a importância da participação das famílias no processo terapêutico e alertou para a grande demanda existente no estado.

Segundo ele, atualmente o Acre ainda possui milhares de crianças aguardando avaliação e acesso a acompanhamento especializado.

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA: 

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