Um caso digno de roteiro de cinema está paralisando as cortes de família no Reino Unido. Uma mulher, que teve relações sexuais com dois irmãos gêmeos monozigóticos (idênticos) em um intervalo de menos de uma semana, viu a justiça declarar um “vácuo de paternidade” oficial.
O motivo? A ciência atual não consegue diferenciar o código genético dos dois irmãos para fins de teste de paternidade padrão.
O imbróglio começou quando um dos irmãos foi registrado na certidão de nascimento. O outro gêmeo e a mãe acionaram a justiça para contestar o documento, alegando que a probabilidade biológica é exatamente a mesma para ambos.
A “Verdade Binária” e o DNA
O presidente da Divisão de Família, Sir Andrew McFarlane, descreveu o cenário como uma “verdade binária”: sabe-se que o pai é um dos dois, mas apontar qual deles seria um erro sem base científica.
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O Problema: Gêmeos idênticos compartilham quase 100% do DNA. Testes comuns de farmácia ou laboratoriais não detectam as mutações raras (polimorfismos de nucleotídeo único) que poderiam diferenciá-los.
Com informações do Metrópoles.
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A Decisão: O tribunal ordenou a remoção do nome do atual pai do registro civil. O bebê ficará sem o nome do pai na certidão até que a ciência evolua.
Sem Responsabilidade Financeira
A sentença traz uma consequência prática severa: enquanto a paternidade não for provada, nenhum dos dois irmãos terá responsabilidade legal, direitos de visita ou dever de pagar pensão alimentícia.
A juíza Madeleine Reardon reforçou que, como as relações ocorreram em uma janela de apenas quatro dias dentro do período fértil, é impossível usar o critério de data de concepção para favorecer um dos irmãos. “Aguardamos que o avanço da genética alcance a complexidade desta realidade”, pontuou o tribunal.

