Entre 2021 e 2025, o Acre registrou 111 crianças e adolescentes que perderam a mĂŁe em decorrĂȘncia de feminicĂdio. O nĂșmero expĂ”e uma face ainda mais dolorosa da violĂȘncia de gĂȘnero no estado: os ĂłrfĂŁos que ficam apĂłs o crime. Diante dessa realidade, o fortalecimento da polĂtica pĂșblica que ampara esses menores entrou no centro do debate institucional nesta quarta-feira (4).
A presidente do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), conselheira Dulce BenĂcio, reuniu representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e JudiciĂĄrio, alĂ©m de integrantes do sistema de Justiça e da rede de proteção social, para alinhar medidas voltadas Ă efetiva implementação da PolĂtica Estadual de Proteção e Atenção Integral aos ĂrfĂŁos e ĂrfĂŁs de FeminicĂdio.
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No Brasil, em mĂ©dia, quatro mulheres sĂŁo vĂtimas de feminicĂdio por dia. No Acre, a mĂ©dia Ă© de um caso por mĂȘs. Cada ocorrĂȘncia, alĂ©m de interromper uma vida, deixa filhos que passam a enfrentar nĂŁo apenas o luto, mas tambĂ©m impactos sociais, emocionais e econĂŽmicos profundos.
A polĂtica estadual foi instituĂda pela Lei Estadual nÂș 4.065/2022 e prevĂȘ apoio psicossocial, acompanhamento institucional, acesso Ă educação e auxĂlio financeiro Ă s crianças e adolescentes afetados. A legislação foi aprimorada em 2025 para ampliar sua efetividade.
Durante o encontro, Dulce BenĂcio destacou que o enfrentamento ao feminicĂdio exige respostas estruturadas e atenção especial Ă s vĂtimas indiretas.
A dor causada pelo feminicĂdio nĂŁo se encerra no ato criminoso. Ela se prolonga na vida dos filhos que permanecem e precisam do amparo do Estado, afirmou. Segundo ela, o compromisso das instituiçÔes Ă© garantir que a polĂtica pĂșblica se traduza em proteção concreta, dignidade e oportunidades.
A conselheira Naluh Gouveia, que tem atuado na articulação tĂ©cnica da pauta, ressaltou que muitas das mulheres vĂtimas eram arrimo de famĂlia, o que agrava ainda mais a situação dos filhos. Para ela, a polĂtica representa tambĂ©m o reconhecimento de uma responsabilidade coletiva do Estado diante dessas falhas.
O presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Nicolau JĂșnior, lembrou que a lei foi aprovada em 2022 e ajustada neste ano, demonstrando que o tema segue como prioridade. Ele afirmou que o Parlamento estĂĄ disposto a contribuir, inclusive na garantia de previsĂŁo orçamentĂĄria para assegurar a continuidade do benefĂcio.
JĂĄ a secretĂĄria de Estado da Mulher, MĂĄrdhia El-Shawwa, informou que a pasta jĂĄ recebeu quatro solicitaçÔes de auxĂlio financeiro, atualmente em anĂĄlise. Segundo ela, a polĂtica nĂŁo se limita ao pagamento do benefĂcio, mas envolve acompanhamento nas ĂĄreas de educação, saĂșde fĂsica e saĂșde mental.
Representantes do MinistĂ©rio PĂșblico, da Defensoria PĂșblica e do JudiciĂĄrio tambĂ©m participaram da reuniĂŁo. Entre os encaminhamentos definidos estĂĄ o fortalecimento da rede de proteção e a priorização dos processos de guarda das crianças que ficaram ĂłrfĂŁs.
Para o procurador-geral de Justiça, Oswaldo DâAlbuquerque, a uniĂŁo das instituiçÔes Ă© fundamental. Quanto menor o nĂșmero de feminicĂdios, menor serĂĄ o nĂșmero de crianças ĂłrfĂŁs. Enquanto essa realidade existir, precisamos assegurar proteção e amparo aos que permanecem, afirmou.
A mobilização institucional ocorre em um mĂȘs simbĂłlico dedicado Ă s mulheres e reforça o papel do TCE-AC como indutor de polĂticas pĂșblicas estruturantes.
Com informaçÔes do TCE/AC


