Enquanto o preço do barril de petróleo ultrapassa os US$ 100 devido ao conflito no Estreito de Ormuz, o mercado interno brasileiro enfrenta um encarecimento que vai além da cotação internacional.
Segundo dados do Ibeps, baseados em relatórios do Ministério de Minas e Energia, as margens de lucro bruto de postos e distribuidoras cresceram, em média, mais de 30% desde 28 de fevereiro de 2026.
O maior salto foi registrado no Diesel S-500, essencial para caminhões antigos e logística de carga, cuja margem de lucro para as empresas subiu 71,6%.
Raio-X das Margens (Pós-Guerra no Irã)
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Diesel S-500: Alta de 71,6%
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Diesel S-10: Alta de 45%
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Gasolina Comum: Alta de 32,2%
Com informações do G1.
Por que as margens estão subindo?
De acordo com o economista Eric Gil Dantas, do Ibeps, a volatilidade dos preços internacionais e a perda de referências estatais após a privatização da BR Distribuidora e da Liquigás permitiram que o setor privado ampliasse seus ganhos sem que o consumidor percebesse claramente a composição do preço final.
“A privatização tirou do Estado o poder de manter as margens próximas de níveis aceitáveis. Hoje, o setor é altamente concentrado”, afirma Dantas. Na comparação com 2021, o lucro sobre o Diesel S-500 acumula uma alta impressionante de 238,8%.
Impacto na Economia Brasileira
A alta dos derivados não afeta apenas o motorista. O diesel mais caro encarece o frete, o que reflete diretamente no preço dos alimentos. Além disso, o agronegócio sofre com o custo de operação de máquinas e o aumento dos fertilizantes, já que 93,5% do que o Brasil importa do Irã são insumos químicos para o campo.
A ANP deve atualizar os preços médios praticados nas bombas ainda nesta sexta-feira (27), após o diesel registrar alta de 20% em apenas 15 dias.

