Entidades criticam urgĂȘncia de projeto sobre crimes ambientais

Por AgĂȘncia Brasil 18/03/2026

Ambientalistas, movimentos sociais e representantes do setor privado criticam a decisĂŁo da CĂąmara dos Deputados de aprovar, no inĂ­cio desta semana, a urgĂȘncia para a votação do Projeto de Lei 2.564/2025, que altera a Lei de Crimes Ambientais. O texto Ă© de autoria do deputado Lucio Mosquini (MDB-RO).

Segundo o ObservatĂłrio do Clima – que reĂșne organizaçÔes socioambientais, institutos de pesquisa e movimentos sociais -, uma possĂ­vel mudança na lei representarĂĄ a perda do principal instrumento de combate ao crime ambiental no paĂ­s.

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A partir deste monitoramento, podem aplicar embargos como medida cautelar. Isso significa que as atividades naquela ĂĄrea devem ser temporariamente paralisadas para impedir a continuidade dos danos. Na sequĂȘncia, um processo administrativo Ă© instaurado e contempla as etapas de vistoria, notificação, contraditĂłrio e ampla defesa.

Caso a nova lei seja aprovada, o possível infrator terå de ser notificado previamente, apresentar esclarecimentos e, somente depois, serå permitida a aplicação dos embargos. Para o Observatório do Clima, isso representa um obståculo à atuação imediata do Estado.

“Em uma comparação nada exagerada, a proposta equivale Ă  PolĂ­cia Federal ser obrigada a avisar um banqueiro acusado de fraude bilionĂĄria de que ele estĂĄ sendo investigado por fraude bilionĂĄria, de forma que tenha tempo de arquitetar sua defesa enquanto continua a cometer a fraude bilionĂĄria. Um escĂĄrnio – e, no caso em questĂŁo, com consequĂȘncias nefastas para o meio ambiente”, diz trecho da nota do ObservatĂłrio.

Ambientalistas defendem a Lei 9.605, de 1998, que versa sobre crimes ambientais, como a principal referĂȘncia de proteção de flora, fauna, ordenamento urbano e instituiçÔes ambientais. TambĂ©m reforçam que o uso de geotecnologias e monitoramento remoto estĂĄ consolidado no Brasil, por ser confiĂĄvel, baseado em dados auditĂĄveis, sĂ©ries histĂłricas e metodologias cientĂ­ficas.

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – movimento composto por mais de 450 representantes do setor privado, sociedade civil, academia e setor financeiro –, disse estar preocupada com a decisão de acelerar a tramitação do projeto de lei.

“Defendemos que mudanças dessa relevĂąncia, sobretudo em instrumentos centrais da fiscalização ambiental, sejam conduzidas com base em evidĂȘncias, debate pĂșblico qualificado e avaliação cuidadosa de seus impactos jurĂ­dicos e operacionais”, diz trecho da nota.

O grupo entende que a tramitação em regime de urgĂȘncia reduz o espaço para a construção de soluçÔes tecnicamente robustas e politicamente equilibradas, “aumentando o risco de insegurança jurĂ­dica, judicialização e perda de efetividade na resposta estatal ao desmatamento ilegal”.

É preciso, de acordo com a Coalizão, consolidar os instrumentos já existentes de combate aos crimes ambientais e que a efetividade deles deve ser ampliada. A capacidade do Estado de prevenir e conter ilícitos ambientais não pode ser comprometida, diz a nota.

O embargo administrativo é defendido como meio eficaz de prevenção: interrompe a continuidade da infração, evita a consolidação do dano e resguarda a recuperação ambiental.

Fonte: Agencia Brasil

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