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Falso magro: quando a aparência engana a saúde

Por Luana Diniz, ContilNet

Falso magro: quando a aparência engana a saúde

Reprodução

Durante muito tempo, o peso corporal foi considerado o principal indicador de saúde. No entanto, a ciência já mostra que não é apenas o número na balança que define se uma pessoa é saudável ou não.

Existe um perfil cada vez mais comum conhecido popularmente como “falso magro” — pessoas que aparentam ser magras ou têm peso considerado normal, mas apresentam alto percentual de gordura corporal e baixa quantidade de massa muscular.

Na literatura científica, esse fenômeno é conhecido como “normal weight obesity”, ou obesidade com peso normal.

Isso significa que, mesmo sem excesso de peso aparente, o organismo pode apresentar alterações metabólicas semelhantes às observadas em pessoas com sobrepeso.

O que caracteriza um falso magro

O falso magro geralmente apresenta algumas características específicas:

Ou seja, a balança pode indicar um peso adequado, mas a composição corporal não está equilibrada.

Por que isso acontece

Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento desse perfil metabólico.

Sedentarismo

A falta de atividade física, especialmente de exercícios de força, reduz o estímulo para manutenção da massa muscular e favorece o acúmulo de gordura corporal.

Alimentação rica em ultraprocessados

Mesmo sem consumir grandes quantidades de alimentos, dietas ricas em açúcar, gorduras refinadas e produtos ultraprocessados favorecem o aumento de gordura corporal.

Baixa ingestão de proteínas

A proteína é essencial para manutenção da massa muscular. Dietas pobres nesse nutriente podem favorecer a perda de massa magra.

Dietas restritivas frequentes

Pessoas que passam longos períodos fazendo dietas muito restritivas podem perder massa muscular ao longo do tempo, reduzindo o metabolismo.

Envelhecimento

Com o avanço da idade ocorre redução natural da massa muscular, processo conhecido como sarcopenia.

Quais são os riscos

Apesar da aparência magra, o falso magro pode apresentar maior risco para algumas condições metabólicas, como:

Por isso, avaliar apenas o peso não é suficiente para analisar a saúde metabólica.

Como melhorar a composição corporal

O objetivo não deve ser apenas emagrecer, mas sim melhorar a proporção entre massa muscular e gordura corporal.

Algumas estratégias são fundamentais:

Essas mudanças ajudam a aumentar massa muscular e melhorar o funcionamento do metabolismo.

Ser magro não significa necessariamente ser saudável. O fenômeno conhecido como falso magro mostra que a composição corporal é um fator fundamental para avaliar o metabolismo e os riscos à saúde.

Mais do que focar apenas no peso, é importante investir em hábitos que promovam equilíbrio metabólico, ganho de massa muscular e redução da gordura corporal.

A orientação de um nutricionista é essencial para avaliar a composição corporal e orientar estratégias alimentares adequadas para cada pessoa.

Referências científicas

DE LORENZO, A. et al. Normal weight obese syndrome: early inflammation? American Journal of Clinical Nutrition, 2006.

ROMERO-CORRAL, A. et al. Normal weight obesity: a risk factor for cardiometabolic dysregulation. European Heart Journal, 2010.

WELLS, J. C. K. The evolution of human fatness and susceptibility to obesity. Annual Review of Anthropology, 2012.

Luana Diniz 
Foto: Clara Lis

*COLUNA NUTRIÇÃO EM PAUTA / LUANA DINIZ NUTRICIONISTA – CRN7 16302

Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre, pós-graduada em nutrição clínica esportiva. Trabalha com atendimento clínico nutricional em parceria com a loja de suplementos Be Strong Fitness e é colunista do ContilNet em assuntos sobre alimentação e sua correlação com saúde e bem-estar.

@luanadiniznutricionista

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