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Filho de Nilson Mourão, Tiago deixa SPU e mira eleição em 2026

Por Everton Damasceno, ContilNet

Tiago Mourão é superintendente da SPU

Tiago Mourão é superintendente da SPU/Foto: Arquivo Pessoal

O superintendente da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) no Acre, Tiago Mourão, anunciou que vai deixar o cargo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) nas eleições de 2026. Em entrevista ao ContilNet nesta sexta-feira (27), ele fez um balanço da gestão e destacou os avanços da pasta nos últimos anos.

Filho do ex-deputado e uma das principais lideranças da esquerda acreana, Nilson Mourão, Tiago está à frente da SPU desde 2023, quando foi convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o cargo.

Tiago Mourão é filho de uma das maiores lideranças do PT no Acre, Nilson Mourão/Foto: Reprodução

Logo no início da entrevista, Mourão atribuiu a maior visibilidade da SPU ao trabalho recente de reestruturação e entrega de resultados.

“A Secretaria do Patrimônio da União é uma das mais antigas do país, são 170 anos. No Acre, durante muito tempo, os imóveis eram geridos de forma muito precária, principalmente por falta de estrutura e de pessoal suficiente para fazer esse trabalho. Além disso, existe um contexto histórico importante, porque o estado foi território federal e praticamente todo o seu território era da União. Hoje, ainda temos cerca de 80% dessas áreas sob domínio federal, o que exige uma gestão muito mais ativa e organizada.”

Segundo Mourão, a mudança de cenário ocorreu a partir de uma gestão mais técnica e da ampliação da equipe, além da implementação de políticas federais voltadas à destinação de imóveis públicos.

“Quando eu assumi a SPU, eu entrei com uma visão muito administrativa, de quem vem da iniciativa privada e precisa gerar resultado. A primeira coisa foi estruturar a equipe, trazer mais servidores e organizar a casa. A partir disso, conseguimos dar um direcionamento claro para a gestão dos imóveis. Não adiantava ter um patrimônio enorme sem dar utilidade para ele, então a ideia foi justamente transformar esses espaços em benefício direto para a população.”

Mourão disse que deixa a SPU com sensação de dever cumprido/Foto: Redes sociais

Ele também destacou o impacto do Programa de Democratização dos Imóveis da União como ferramenta fundamental nesse processo.

“A gente passou a dialogar com estados, municípios e também com movimentos sociais para entender a real necessidade de cada local. Esses imóveis podem atender diversas áreas, como saúde, educação, habitação, segurança pública e até cultura. Então a gente começou a construir soluções junto com os gestores locais, sempre pensando no uso social desses espaços, que pertencem à população.”

Ao longo da gestão, Mourão percorreu todos os municípios acreanos para mapear demandas e definir a destinação dos imóveis.

“Eu rodei o estado inteiro, município por município, fazendo um levantamento como se fosse uma grande imobiliária. A gente chegava nas cidades, conversava com os prefeitos, entendia as principais demandas e via como os imóveis da União poderiam atender aquilo. Em alguns lugares era necessidade de habitação, em outros de unidade de saúde, centro administrativo ou até espaços turísticos. Cada local tinha uma vocação diferente e a gente buscou respeitar isso.”

Como resultado, a SPU destinou 53 imóveis entre 2023 e 2025, com destaque para o último ano de gestão.

“Em 2023, quando eu ainda estava me adaptando, foram seis imóveis. Em 2024, conseguimos avançar e chegamos a 14. Já em 2025, fizemos um trabalho muito forte e entregamos 33 imóveis. São espaços destinados para escolas, creches, unidades de saúde, delegacias, projetos de agricultura familiar e diversas outras áreas. Foi um volume significativo de entregas que estavam represadas há muito tempo.”

Parque de Exposições e Expoacre

Sobre a polêmica envolvendo o Parque de Exposições, Mourão minimizou a situação e afirmou que não houve conflito institucional.

Espaço do parque de exposições pertence à União .Foto: Pedro Devani/Secom

“O parque é um espaço da União e está disponível para qualquer pessoa ou entidade que queira utilizar, desde que siga os trâmites legais. Existe um prazo para solicitar a reserva e, no caso do ano passado, quando o governo procurou a SPU, já havia uma reserva feita para o período. Foi um desencontro administrativo, nada além disso. A gente conseguiu ajustar a situação para que o evento acontecesse, sem maiores problemas.”

Ele reforçou que a relação com o governo do estado sempre foi institucional e sem atritos.

“Eu sempre tratei todos os entes federativos com muito respeito, independente de posição ideológica. Nunca houve qualquer tipo de dificuldade nesse sentido. O parque continua à disposição, assim como outros imóveis da União. Cabe aos interessados fazer a solicitação dentro do prazo e seguir os procedimentos.”

Legado

Ao falar sobre o legado que pretende deixar na SPU, Mourão destacou a valorização do patrimônio público e a mudança na lógica de uso desses espaços.

“A regularização fundiária é um passo fundamental para o desenvolvimento”, diz Tiago/Foto: Reprodução

“Eu acredito que o principal legado é justamente a mudança de mentalidade sobre os imóveis da União. Antes, muitos estavam abandonados, sem função social. Hoje, conseguimos dar utilidade para esses espaços, fazendo com que eles atendam diretamente a população. Isso traz dignidade, melhora os serviços e também fortalece a gestão pública.”

Ele também apontou a regularização fundiária como um dos principais desafios que precisam ter continuidade.

“A regularização fundiária é um passo fundamental para o desenvolvimento. Existem muitos bairros já consolidados em áreas da União que ainda não têm essa regularização. Quando você resolve isso, as famílias passam a ter segurança jurídica, conseguem acessar crédito, investir na própria casa e movimentar a economia local. É um ciclo de desenvolvimento que precisa continuar.”

Na área social, Mourão destacou iniciativas voltadas à população em situação de vulnerabilidade, reforçando o papel da SPU como facilitadora de projetos.

“Qualquer política pública precisa de um espaço físico para acontecer. A SPU entra justamente nisso, viabilizando o local para que esses projetos saiam do papel. A gente já apoiou iniciativas de combate à fome, de assistência social e de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. Mas não basta só entregar o espaço, é preciso um trabalho conjunto com outros órgãos para garantir que essas ações tenham continuidade.”

Eleições 2026

Sobre a decisão de disputar uma vaga na Aleac, Mourão afirmou que a influência familiar teve peso, mas que a experiência na gestão pública foi determinante.

“Sem dúvida, meu pai foi uma grande inspiração, eu cresci dentro desse ambiente político, vendo de perto o trabalho dele e de outras lideranças. Mas essa decisão também passa muito pela experiência que eu tive na SPU, pelos resultados que conseguimos entregar e pela percepção de que posso contribuir ainda mais. Existe também um processo natural de renovação dentro do partido, e eu me coloco como parte desse movimento.”

Mourão é do quadro do PT/Foto: Reprodução

Por fim, ele destacou que pretende atuar como ponte entre o Acre e o governo federal, caso seja eleito.

“Eu acredito que posso contribuir muito com o desenvolvimento do Acre, principalmente fazendo essa interlocução com Brasília. Temos uma janela de oportunidades importante, com investimentos e projetos que podem chegar ao estado. A ideia é justamente ajudar a potencializar isso, buscando soluções que tragam crescimento econômico e melhoria de vida para a população. Estou animado com esse desafio.”

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