Guia orienta sobre como abordar violĂȘncia de gĂȘnero nas redes sociais

Por AgĂȘncia Brasil 04/03/2026


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Falar sobre violĂȘncia de gĂȘnero exige cuidado sobre o impacto que palavras, perguntas e imagens podem ter. Com o objetivo de contribuir para uma internet mais responsĂĄvel, informada e acolhedora, a ONG Redes Cordiais lançou a cartilha Fala que Protege: guia para comunicadores sobre a violĂȘncia contra a mulher.Guia orienta sobre como abordar violĂȘncia de gĂȘnero nas redes sociaisGuia orienta sobre como abordar violĂȘncia de gĂȘnero nas redes sociais

Embora direcionada a comunicadores e influenciadores digitais, a cartilha serĂĄ disponibilizada gratuitamente ao pĂșblico. A iniciativa conta com apoio do YouTube e propĂ”e orientar criadores de conteĂșdo na abordagem responsĂĄvel de casos de violĂȘncia contra meninas e mulheres nas redes sociais.

NotĂ­cias relacionadas:

O lançamento oficial estĂĄ previsto para o prĂłximo domingo (8), Dia Internacional da Mulher, e ocorre em meio ao aumento da repercussĂŁo de crimes de gĂȘnero e Ă  disseminação de discursos de Ăłdio na internet, incluindo grupos associados aos chamados movimentos “redpill”. 

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, em 2025 foram registradas 621.202 medidas protetivas concedidas, 998.368 novos processos por violĂȘncia domĂ©stica e 4.243 casos de feminicĂ­dio em tribunais de primeiro grau. Em 2020, haviam sido contabilizados 2.188 feminicĂ­dios, o que representa uma alta de quase 94% em cinco anos.

A diretora executiva e co-fundadora do Redes Cordiais, Clara Becker, reforça que a internet tem sido um ambiente de amplificação desses discursos.

“NĂŁo Ă© que as violĂȘncias nĂŁo acontecessem antes do advento das redes, mas vemos que hoje essas violaçÔes tĂȘm se amparado em discursos de Ăłdio que sĂŁo disseminados na internet, principalmente em grupos que se propĂ”em a induzir meninos e homens a odiar meninas e mulheres, nutrindo esses sentimentos de controle e posse para legitimar seus comportamentos”, diz Becker.

OrientaçÔes

O material traz a diferenciação dos tipos de violĂȘncia, esclarece o conceito de consentimento e apresenta recomendaçÔes prĂĄticas para cobertura jornalĂ­stica e produção de conteĂșdo.

As principais orientaçÔes são:

  • NĂŁo culpabilizar a vĂ­tima, independentemente de roupas, comportamento, histĂłrico pessoal, uso de ĂĄlcool ou escolhas afetivas.
  • Evitar o uso da voz passiva, como “Mulher Ă© morta”. Isso pode esconder a responsabilidade do agressor.
  • NĂŁo recorrer ao sensacionalismo, como descrever episĂłdios de violĂȘncia com detalhes e imagens sensĂ­veis.
  • Contextualizar os casos dentro de estruturas mais amplas, como misoginia e racismo.
  • Permitir que sobreviventes falem por si, sem induzir respostas.
  • Ao falar sobre o agressor, nĂŁo antecipar sentença judicial. Adotar termos como “suspeito”, “acusado”, “investigado”, de acordo com cada caso.

Hå ainda um capítulo dedicado a comunicadores que sejam procurados por vítimas. O documento orienta a manter uma abordagem acolhedora, não duvidar do relato, oferecer contatos de serviços oficiais, como o Ligue 180 e o 190, além de não divulgar histórias sem autorização e reconhecer limites pessoais diante da situação.

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