Hapvida (HAPV3): dados da ANS reforçam expectativa de 4º tri desafiador; ação cai
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou as demonstrações financeiras completas de 2025 das operadoras de saúde no Brasil
Felipe Moreira
18/03/2026 11h38
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Atualizado 16 minutos atrás
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Hapvida (Foto: Divulgação)
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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou nesta terça-feira (17) as demonstrações financeiras completas de 2025 das operadoras de saúde no Brasil.
Apesar da expectativa já desafiadora, o JPMorgan esperava melhora sequencial impulsionada por sazonalidade positiva, o que não se confirmou. Assim, os dados da ANS indicam um quarto trimestre de 2025 mais fraco do que o previsto e reforçam a visão de que o elevado retorno sobre patrimônio (ROE) do setor deve levar a uma moderação de preços. A recomendação para a Hapvida (HAPV3) é neutra, com preço-alvo de R$ 13,50. O papel HAPV3 é destaque de queda do Ibovespa nesta quarta-feira (18), com baixa de 4,18% (R$ 8,26), às 11h40 (horário de Brasília).
O crescimento do ticket médio segue pressionado, especialmente no Sudeste e nas operações da Hapvida. No 4T25, Hapvida, Porto Saúde, da Porto (PSSA3) e Amil apresentaram dinâmica praticamente estável ano a ano, sinalizando competição de preços mais agressiva na região, o que tende a pressionar a rentabilidade e o ROE.
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Nas operações legadas, a Hapvida Assistência Médica (com maior exposição ao Nordeste) registrou crescimento de cerca de 9% no ticket médio, em linha com trimestres anteriores. Ainda assim, a receita consolidada mostrou fraqueza, com crescimento estimado de 3% na comparação anual, para R$ 8 bilhões, levemente abaixo das projeções do banco.
Já sinistralidade ajustada pela ANS ficou estável na comparação trimestral, mesmo com sazonalidade favorável, sugerindo risco de queda frente às estimativas do JPMorgan. O MLR (índice de sinistralidade) reportado de 73,5% indica melhora de 3,2 pontos percentuais no trimestre.
No entanto, ao excluir reversões de provisões do SUS (cerca de R$ 414 milhões), o MLR teria sido de 78,9% no 4T25, piorando levemente na comparação trimestral, em contraste com a expectativa de melhora.
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Embora a comparação anual seja prejudicada por mudanças contábeis, o índice combinado ajustado indica tendência estável ano a ano.
- Leia mais: Hapvida cai 73% desde balanço do 3T e divulga números do 4T25 na 4ª: o que esperar?
Já o Morgan Stanley avalia que os riscos para os lucros da Hapvida estão mais inclinados para baixo do que para cima. O banco destaca que a companhia é a mais exposta, dentro de sua cobertura, ao ajuste final dos planos individuais, segmento que tem peso relevante na geração de resultados.
Segundo a análise, o lucro por ação (LPA) projetado para 2026 pode variar entre R$ 1,29 e R$ 1,45, frente a uma estimativa base de R$ 1,40. Isso representa um intervalo que vai de queda de 8% a alta de 4%, reforçando a assimetria negativa. Na avaliação, o múltiplo preço/lucro pode oscilar entre 5,9 vezes em um cenário mais positivo e 6,7 vezes em um cenário adverso, ante 6,1 vezes no cenário-base.
O banco também aponta que 2026 deve seguir como um período desafiador para a companhia, com ausência de catalisadores de curto prazo que justifiquem uma reprecificação das ações. Entre as pressões, estão os sinais de fraqueza já indicados pelos dados recentes da ANS para o quarto trimestre de 2025.
Além disso, o ambiente competitivo tende a se intensificar, com o avanço de ofertas de baixo custo da Amil, o que pode forçar a Hapvida a escolher entre preservar participação de mercado ou manter disciplina de preços.
O Goldman Sachs, por sua vez, observa que operadoras menores adotaram uma dinâmica mais conservadora, com maior repasse de preços como principal motor de ganho de margem. Já as grandes operadoras focaram mais no controle de custos, incluindo combate a fraudes, melhoria de protocolos e ajustes de portfólio, com maior uso de redes credenciadas mais eficientes e restritas — movimento ainda mais evidente entre seguradoras de saúde do que cooperativas médicas.
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Entre as empresas analisadas, a Amil apresentou melhora de 6,2 pontos percentuais no MLR, favorecida por uma base comparativa fraca e pela redução nominal de 2% nos custos unitários, refletindo a racionalização da rede credenciada. Ainda assim, o banco destaca indícios de uma estratégia agressiva de preços, especialmente no Sudeste, cujos impactos sobre margens ainda são incertos.
A SulAmérica registrou melhora de 4,0 pontos percentuais no MLR (ou 3,2 p.p. nos resultados reportados), reforçando a visão de que sua estratégia de controle de rede e combate a fraudes vem gerando redução de custos, sem necessidade de aumentos adicionais de preços em contratos antigos. O Goldman vê essa abordagem como positiva, podendo sustentar ganho de participação de mercado no Sudeste em 2026.
Já a Bradesco Saúde teve melhora no MLR com composição diferente, adotando postura mais conservadora em preços, compensada por menores ganhos de eficiência. O foco dos investidores deve estar em eventuais mudanças na estratégia comercial após a possível criação da BradSaúde.
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O banco ressalta que os dados regulatórios da ANS não coincidem exatamente com os números reportados pelas empresas e devem ser analisados principalmente pela variação. A Hapvida ficou de fora da análise devido a distorções relevantes nos dados regulatórios em relação aos resultados da companhia.
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Fonte: InfoMoney

