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Lenda ou real? O mistério da Caboca que assombrou seringais no interior do Acre

Por Ricardo Amaral, ContilNet

O mistério da Caboca que assombrou seringais do Rio Purus

O mistério da Caboca que assombrou seringais do Rio Purus | Foto: Reprodução

No coração da floresta amazônica, onde o silêncio da mata só é quebrado pelo som dos animais e pelo corte ritmado da seringa, histórias estranhas costumam nascer e, muitas vezes, nunca morrem. Foi assim que surgiu um dos relatos mais inquietantes já ouvidos nas redondezas do Rio Purus.

No início da década de 1990, quando os seringais ainda eram habitados por famílias que viviam da extração do látex, o isolamento favorecia não só a sobrevivência, mas também o surgimento de mistérios. Em 1991, no Seringal Sardinha, localizado a cerca de 40 quilômetros de Manoel Urbano, no sentido de Feijó, a rotina começou a mudar com a chegada de um homem conhecido apenas como Caroncha. No começo, ele parecia como qualquer outro seringueiro: calado, trabalhador e acostumado com a vida dura da mata. Mas não demorou para que seu nome passasse a ser comentado com desconfiança entre os moradores.

Foi então que surgiram os primeiros relatos. À noite, algo rondava as colocações. Um vulto grande, pesado, que caminhava entre as árvores e, por vezes, surgia próximo à estrada, nas margens da BR-364. Alguns diziam ter visto olhos brilhando no escuro. Outros juravam ter ouvido sons estranhos , diferentes de qualquer animal conhecido da região. A criatura ganhou um nome: “Caboca”. E o mais intrigante é que, segundo os relatos, o próprio Caroncha teria sido o responsável por batizá-la.

Descrita como um ser de aparência quase humana, mas coberto por pelos, a “Caboca” rapidamente se tornou motivo de medo. Durante semanas, famílias passaram a viver em alerta. Homens armados faziam vigília nas portas de casa, enquanto a sensação de que algo os observava tomava conta das noites.

Um detalhe tornava tudo ainda mais perturbador: a criatura parecia seguir Caroncha. Havia relatos de que ele já teria enfrentado o ser em outras ocasiões, usando faca, terçado e até espingarda. O episódio mais marcante teria ocorrido na Colocação Morada Nova, na propriedade do senhor Zé Simão, em plena luz do dia. Por volta das três da tarde, Caroncha teria se deparado novamente com a “Caboca” e, armado apenas com um terçado, avançou contra ela.

Segundo os relatos, houve luta. O silêncio da mata teria sido quebrado pelo som do confronto. Em seguida, a criatura foi vista ferida, sangrando, recuando para dentro da floresta até desaparecer completamente.

Depois disso, nunca mais foi vista.

Curiosamente, pouco tempo após o episódio, o próprio Caroncha também deixou o seringal e seguiu para Feijó, sem dar explicações.

Até hoje, ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Para alguns, tudo não passou de medo coletivo alimentado pelo isolamento da vida na floresta. Para outros, a “Caboca” existiu, e apenas retornou para as profundezas da mata, levando consigo um mistério que jamais foi totalmente revelado. E, na dúvida, ainda há quem prefira não tocar no assunto quando a noite cai às margens do Purus.

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