O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (6) para que o lĂder evangĂ©lico Silas Malafaia se torne rĂ©u pelos crimes de calĂșnia e injĂșria que teriam sido praticados contra os generais de quatro estrelas que compĂ”em o Alto Comando do ExĂ©rcito. 

O caso começou a ser julgado nesta sexta (6) pela Primeira Turma do Supremo, em sessĂŁo virtual. AtĂ© o momento, somente o relator, Moraes, votou. Os outros trĂȘs ministros do colegiado – Cristiano Zanin, FlĂĄvio Dino e CĂĄrmen LĂșcia – tĂȘm atĂ© as 23h59 de 13 de março para votar.Â
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A denĂșncia contra Malafaia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR) apĂłs um discurso do lĂder religioso durante manifestação na Avenida Paulista, em 6 de abril do ano passado.Â
Na ocasiĂŁo, a fala de Malafaia foi motivada pela entĂŁo recente prisĂŁo do general Walter Braga Netto, no Ăąmbito das investigaçÔes da trama golpista que pretendeu manter o ex-presidente Jair Bolsonaro ilegalmente no poder.Â
âCadĂȘ esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do ExĂ©rcito? Cambada de frouxos, cambada de covardesâ, disse o lĂder religioso Ă Ă©poca, em cima de um carro de som.
Ele estava cobrando providĂȘncias dos militares em resposta Ă prisĂŁo de Braga Netto, que foi candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022.
âCambada de omissos. VocĂȘs nĂŁo honram a farda que vestemâ, acrescentou Malafaia.Â
Um vĂdeo com a fala foi depois publicada pelo pastor evangĂ©lico em suas redes sociais e, segundo a PGR, alcançou mais de 300 mil visualizaçÔes. A legenda da publicação dizia: âMinha fala contra os generais covardes do alto comando, nĂŁo contra o glorioso ExĂ©rcito Brasileiroâ.Â
Para a PGR, Malafaia incorreu no crime de calĂșnia ao chamar os generais de covardes, uma vez que covardia Ă© crime previsto no CĂłdigo Penal Militar. No caso da injĂșria, a denĂșncia acusa o pastor de querer deliberadamente ofender os militares.Â
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Qualificação
A denĂșncia da PGR pede que os crimes sejam qualificados, com aumento de pena, por terem sido praticados contra agente pĂșblico, em razĂŁo de suas funçÔes, na presença de vĂĄrias pessoas e contra pessoa maior de 60 anos, todos agravantes desse tipo de crime.Â
A defesa de Malafaia alega nĂŁo haver motivo para que o caso tramite no Supremo, uma vez que o pastor nĂŁo ocupa nenhum cargo com foro privilegiado. Sobre o mĂ©rito, a defesa argumenta nĂŁo haver dano causado pelas falas do lĂder evangĂ©lico, motivo pelo qual nĂŁo haveria justa causa de agir que justificasse a denĂșncia.Â
Moraes rebateu os argumentos afirmando que os fatos investigados tem conexĂŁo âabsolutaâ com calĂșnias e injĂșrias praticadas contra agentes pĂșblicos que sĂŁo apurados no InquĂ©rito das Fake News, que foi aberto em 2019 para apurar ataques e difamaçÔes contra ministros do Supremo.Â

