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MPAC denuncia professor da Ufac por falas homotransfóbicas

Por Everton Damasceno, ContilNet

MPAC denuncia professor da Ufac por falas homotransfóbicas durante assembleia

MPAC denuncia professor da Ufac por falas homotransfóbicas durante assembleia/Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) denunciou o professor Mauro Cesar Rocha da Silva por proferir falas homotransfóbicas durante uma assembleia realizada no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco.

De acordo com a denúncia, o caso ocorreu no dia 23 de fevereiro de 2026, durante uma reunião com a presença de cerca de 25 docentes. O encontro discutia, inclusive, o afastamento do próprio servidor em razão de manifestações anteriores de cunho semelhante.

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Sede da Ufac/Foto: Reprodução

Segundo o MP, Mauro fez declarações consideradas discriminatórias contra pessoas LGBTQIA+, associando a população homossexual à disseminação da AIDS e afirmando que vítimas de abuso sexual na infância tenderiam a se tornar homossexuais. As falas teriam sido feitas em ambiente institucional e no exercício da função pública, o que, para o órgão, agrava a conduta.

A denúncia também aponta que o servidor direcionou ofensas pessoais a uma professora presente na assembleia, chamando-a de “idiota” e “bruta”, além de acusá-la de ser “defensora e professora da pedofilia”, o que pode configurar, além do crime de discriminação, outros delitos como injúria.

Em depoimento, o acusado confirmou parte das declarações e chegou a reiterar o conteúdo das falas, segundo o Ministério Público.

O órgão destacou ainda que não se trata de um episódio isolado. Há registros de manifestações anteriores com teor semelhante, o que, na avaliação do MP, reforça a gravidade do caso.

A denúncia enquadra a conduta na Lei nº 7.716/1989, que trata dos crimes de racismo, com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) que equipara a homotransfobia a esse tipo de crime. Com isso, as práticas são consideradas imprescritíveis e inafiançáveis.

O Ministério Público pediu o recebimento da denúncia pela Justiça e a abertura de ação penal contra o acusado. Também foi solicitada a oitiva das vítimas e testemunhas.

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