A advogada Marina Belandi divulgou nas redes sociais áudios que, segundo ela, comprovam ameaças relacionadas à cobrança de uma suposta dívida contra uma cliente. De acordo com a advogada, a cobrança estaria sendo feita de forma irregular e acompanhada de intimidações. Nas gravações, o suposto credor diz “não ter medo de nada e que, agora, iria dar ‘merda”.
Segundo Belandi, a situação começou quando a cliente passou a receber cobranças por uma dívida que, conforme a defesa, não existe. A advogada afirma que pessoas desconhecidas começaram a entrar em contato e até a enviar indivíduos à residência da mulher para pressionar pelo pagamento.
“Em vez desse suposto credor procurar os meios legais, que é a Justiça, entrando com uma ação, apresentando as provas e recebendo por lá, ele ficou intimidando e mandando pessoas na casa dela”, relatou a advogada.
Ainda conforme o relato, no ano passado a cliente chegou a pagar uma quantia para encerrar o problema. No entanto, neste ano, as cobranças teriam recomeçado, acompanhadas de novas exigências de pagamento e ameaças. “Começaram novamente a pedir mais dinheiro e a dizer que sabiam onde ela mora, onde moram os filhos, a mãe e as irmãs”, contou Belandi.
Prints divulgados por Marina Belandi. Foto: Reprodução/Redes sociais
Prints divulgados por Marina Belandi. Foto: Reprodução/Redes sociaisDiante da situação, a advogada orientou a cliente a registrar um boletim de ocorrência. Enquanto o registro era feito na delegacia, Belandi precisou sair para cumprir um compromisso no Tribunal, mas afirmou que assumiria a interlocução com os supostos cobradores para evitar novas pressões contra a cliente.
Segundo ela, após informar que o caso seria tratado por meio jurídico, recebeu ligações com tom intimidatório. A advogada afirmou ainda que um dos contatos teria utilizado o nome de uma suposta organização e feito ameaças.
“Nós já sabemos quem é a pessoa por trás disso e tomamos as providências. Agora estamos aguardando as medidas das autoridades de segurança pública”, afirmou.
De acordo com Belandi, o homem apontado como responsável pelas cobranças não mora no Acre. A advogada informou que já solicitou apoio de um colega no estado e que deve pedir que ele seja ouvido pela polícia local.
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Áudio divulgado
Nas redes sociais, a advogada também publicou um áudio atribuído ao suposto cobrador. No material, o homem faz declarações consideradas ameaçadoras. “Ela foi pra delegacia, foi pra Polícia Civil. Eu tô indo. Vou conversar com eles. Se o cara reagir… eles estão pra matar ou morrer”, diz um trecho do áudio divulgado por Belandi.
A advogada afirmou que decidiu tornar o caso público após as ameaças e para demonstrar que a situação já está sendo tratada pelas autoridades.
Além do boletim de ocorrência, Belandi informou que também pretende comunicar o caso a entidades das quais faz parte, incluindo associações de mulheres e órgãos de classe ligados à advocacia. As investigações devem apurar a origem das cobranças e a eventual prática de crimes como ameaça e extorsão.
LEIA A NOTA DE MARINA NAS REDES:
Neste momento, não escrevo apenas como advogada, mas como mulher que sentiu na pele o peso do silenciamento que tentam impor a tantas outras todos os dias. O relato que segue não é um caso isolado; é o retrato de um sistema onde o crime desafia as instituições dentro de seus próprios gabinetes.
Recentemente, atendi uma cliente exaurida. Meses de insônia, extorsão e ameaças. Ao buscarmos o amparo do Estado, dentro de uma delegacia e sob o olhar da autoridade policial, a audácia do agressor não recuou: as mensagens e ligações continuavam a chegar, ininterruptas, ignorando a presença da lei.
Ao assumir a interlocução como profissional, o cenário se tornou ainda mais sombrio. Diante do meu pedido técnico por um contrato ou via judicial para resolver a suposta dívida, a resposta foi o escárnio:
O desrespeito às instituições: A afirmação de pertencer a uma organização criminosa que “não teme autoridades”.
A misoginia explícita: A tentativa de invalidar minha atuação profissional ao exigir falar com “um homem”, questionando a capacidade de uma mulher conduzir uma negociação.
A violência direta: Fui chamada de “louca” e recebi ameaças pessoais, incluindo a citação do meu próprio endereço residencial.
Nesse momento, a linha que separava a advogada da vítima foi rompida. De defensora, passei a ser alvo.
O ataque a uma advogada no exercício de sua função é um ataque ao Estado Democrático de Direito. Quando uma profissional é ameaçada por sua identidade de gênero e por sua postura ética, o recado do crime é claro: eles querem que as mulheres recuem. Querem que tenhamos medo de ocupar espaços de defesa e de proteção.
Pois saibam, todos, que NÃO RECUAREMOS!
Precisamos de uma rede de proteção que vá além do papel. É imperativo que a OAB e as autoridades de segurança pública compreendam que a violência contra a mulher advogada tem nuances específicas de misoginia que precisam ser combatidas com rigor. Não é apenas uma ameaça profissional, é uma tentativa de aniquilar nossa existência e liberdade.
Pelo direito de advogar sem temer pela vida. Pelo fim da violência contra a mulher em todas as suas instâncias.

