A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) marcou a história da diplomacia global nesta quarta-feira (25/3). Em uma votação de peso simbólico e jurídico, o órgão aprovou uma resolução que declara oficialmente o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave já registrado na trajetória da humanidade. O documento, que contou com o apoio decisivo do Brasil, não apenas condena o passado, mas estabelece que as consequências da escravidão permanecem vivas nas desigualdades estruturais contemporâneas, exigindo mecanismos de reparação.
De acordo com informações do portal g1, o texto foi aprovado por uma maioria expressiva de 123 dos 193 Estados-membros. A proposta, apresentada originalmente por Gana, foca no período entre os séculos XV e XIX, quando aproximadamente 12,5 milhões de seres humanos foram capturados e comercializados nas Américas.
Geopolítica e divergências no voto
Apesar do consenso majoritário, a votação na ONU revelou divisões profundas entre as potências ocidentais e as nações do Sul Global sobre como lidar com o passado colonial do tráfico de africanos.
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Votos Contrários: Apenas três países votaram contra a resolução: Estados Unidos, Israel e Argentina. O governo americano argumentou que o texto poderia criar uma “hierarquia” entre diferentes crimes contra a humanidade.
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Abstenções: Cinquenta e dois países se abstiveram, incluindo o Reino Unido e todos os membros da União Europeia, que manifestaram discordância quanto ao ponto que exige reparações retroativas.
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Posicionamento Brasileiro: O Brasil votou a favor da medida, reforçando sua posição histórica de reconhecimento das dívidas sociais. Os discursos de justificativa do voto brasileiro ocorrerão na próxima semana.
Resumo da Resolução: Tráfico de Africanos (2026)
Confira os pontos centrais do documento aprovado pelas Nações Unidas:
| Detalhe da Resolução | Status da Decisão |
| Classificação do Crime | Mais grave da história da humanidade |
| Proponente | Gana |
| Votos Favoráveis | 123 países (incluindo o Brasil) |
| Votos Contrários | 03 países (EUA, Israel e Argentina) |
| Principal Exigência | Reparações históricas e enfrentamento das cicatrizes atuais |
| Impacto Histórico | 12,5 milhões de pessoas escravizadas |
Especialistas em Direito Internacional ouvidos pelo g1 destacam que esta resolução é o maior avanço da ONU no reconhecimento da escravidão como um crime que exige ações concretas de compensação.
Para o presidente de Gana, a aprovação é uma “garantia contra o esquecimento”.
Embora o documento não tenha força de lei impositiva imediata para sanções, ele eleva o tom da pressão diplomática global para que países que lucraram com o tráfico de africanos desenvolvam políticas de reparação financeira, social e cultural para as populações descendentes, moldando o debate sobre justiça racial para as próximas décadas.

