O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (12/3), a Operação Blackboard. A ação mira um esquema sofisticado de corrupção e desvio de verbas públicas na Secretaria de Educação do DF que pode ultrapassar os R$ 50 milhões.
Com 31 mandados de busca sendo cumpridos no DF, São Paulo, Goiás e Tocantins, a operação expõe como o dinheiro do ensino teria sido usado para enriquecimento ilícito.
No epicentro da investigação está a polêmica locação de um imóvel no Setor de Motéis da Candangolândia. O prédio, que abriga o Centro de Ensino Fundamental 01 (CEF 01) e a Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante, teria sido alugado sob a falsa alegação de que a sede original estava condenada.
Escola em motel e aluguéis milionários
A investigação aponta que a ex-coordenadora regional, Ana Maria Alves da Silva, teria iniciado o processo sem laudos técnicos. Enquanto o governo desembolsou R$ 19 milhões em aluguéis pelo imóvel privado (pertencente aos donos de um motel), o prédio público original, supostamente “inutilizável”, recebeu um contrato de reforma de R$ 12 milhões em 2025, provando que nunca precisou ser abandonado.
Alvos de peso: Ex-secretário e Deputado
O Gaeco aponta que o esquema contou com articulação no topo da hierarquia política:
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João Pedro Ferraz dos Passos (Ex-secretário de Educação): Investigado por autorizar a dispensa de licitação e ratificar o contrato irregular.
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Hermeto Oliveira Neto (Deputado Distrital): Suspeito de intermediar o contato entre empresários e o governo, além de destinar R$ 27 milhões em emendas suspeitas para associações ligadas ao esquema.
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Carlos Eduardo Coelho Ferreira (Empresário): Teria comprado o imóvel usando os próprios recursos do aluguel pago pelo governo. Na prática, o Estado financiou a compra do prédio para o particular.
Investigação interestadual
A Operação Blackboard, nome que faz alusão ao “quadro-negro” das escolas, mobilizou polícias de quatro estados. As notas fiscais fraudadas e orçamentos superfaturados revelam um “apagão” ético na gestão de recursos que deveriam ser destinados à melhoria da rede de ensino.
O MPDFT ressalta que não há indícios de participação da atual gestão da pasta nos fatos investigados.
Fonte: Metrópoles
Reidigido por ContilNet

