A manhã desta sexta-feira (13) trouxe uma movimentação dupla e estratégica para o setor de combustíveis no Brasil. A Petrobras anunciou que, a partir deste sábado (14), o preço do óleo diesel vendido às distribuidoras sofrerá um reajuste positivo. Os demais combustíveis, como gasolina e GLP, não sofreram alterações.
Com a nova tabela, o preço médio do litro do diesel passará a ser de R$ 3,65, o que representa uma alta de R$ 0,38 por litro nas refinarias.
A última vez que a estatal havia alterado o preço do diesel foi em maio de 2025. O motivo para o reajuste atual é a escalada das tensões e a guerra no Oriente Médio, que fez o preço do barril de petróleo saltar drasticamente de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100 no mercado internacional, encarecendo a matéria-prima básica.
O ContilNet explica a seguir por que, apesar do aumento expressivo na refinaria, o consumidor final e os caminhoneiros não devem sentir esse peso total na hora de abastecer.
🛡️ O “Escudo” do Governo: Por que o preço na bomba não vai disparar?
Sabendo que o reajuste da Petrobras era iminente e necessário por conta do cenário global, o Governo Federal antecipou-se. Na última quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um pacote de medidas desenhado justamente para “amortecer” essa alta e evitar um repasse inflacionário para os fretes e alimentos.
Segundo a própria Petrobras, o impacto do reajuste de R$ 0,38 para o consumidor final será drasticamente reduzido. O pacote de mitigação assinado pelo governo inclui:
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Impostos Zerados: Um decreto que zera as alíquotas federais de PIS/Cofins sobre o óleo diesel, o que, na prática, retira R$ 0,32 por litro do preço final.
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Subvenção aos Produtores: Uma Medida Provisória (MP) que prevê o pagamento de um subsídio (subvenção) a produtores e importadores, também no valor de R$ 0,32 por litro.
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Taxação da Exportação: Uma MP que institui a tributação da exportação de petróleo bruto, com o objetivo de estimular o refino interno no Brasil e garantir o abastecimento nacional em meio à crise global.
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Transparência nos Postos: Um decreto obrigando os postos de combustíveis a adotarem sinalização clara e visível ao consumidor, detalhando a redução dos tributos federais e mostrando o preço real com a subvenção aplicada.
O Balanço da Petrobras
Em nota oficial, a Petrobras fez questão de ressaltar que a combinação dessas ações governamentais neutraliza grande parte do aumento.
“Dessa forma, para a Petrobras, o efeito combinado do ajuste de preços para as distribuidoras anunciado hoje e o potencial benefício do programa de subvenção, é equivalente a R$ 0,70 por litro, tendo seus efeitos para o consumidor mitigados pelas medidas anunciadas ontem pelo Governo do Brasil.” – declarou a estatal.
A empresa também pontuou que, mesmo com o aumento deste sábado (14), se analisado o período desde dezembro de 2022, o preço do diesel A vendido às distribuidoras ainda registra uma redução acumulada de R$ 0,84 por litro (uma queda de 29,6%, considerando a inflação do período).
A expectativa agora é que o Procon e outros órgãos de defesa do consumidor fiscalizem rigorosamente os postos de combustíveis nos próximos dias para garantir que a isenção de impostos seja, de fato, repassada às bombas, anulando o efeito do reajuste da Petrobras.

