Polícia quer quebrar sigilo telefÎnico de réus por estupro coletivo

Por AgĂȘncia Brasil 04/03/2026


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A Polícia Civil do Rio de Janeiro pretende obter novas provas contra os envolvidos em estupros de estudantes do Colégio Federal Pedro II, no Rio de Janeiro.Polícia quer quebrar sigilo telefÎnico de réus por estupro coletivoPolícia quer quebrar sigilo telefÎnico de réus por estupro coletivo

Os investigadores ainda esperam conseguir dados do celular e de computadores do adolescente denunciado à Justiça por dois crimes de estupro.

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O jovem é apontado pela polícia como mentor dos ataques, que seguem a mesma dinùmica. A polícia também não descarta pedir quebra de sigilo telefÎnico dos quatro réus envolvidos no estupro coletivo a uma jovem de 17 anos, em Copacabana.

De acordo com o delegado responsĂĄvel pelas investigaçÔes, Ângelo Lages, o pedido de busca e apreensĂŁo de equipamentos do adolescente, que, assim como a prisĂŁo dele, nĂŁo foi acatado pela Justiça, tem potencial de elucidar denĂșncias.

“O adolescente era a mente por trĂĄs disso tudo. Ele tinha a confiança das vĂ­timas, atĂ© por ter tido relacionamentos anteriores com elas, entĂŁo, a gente entende que a apreensĂŁo Ă© necessĂĄria”.

Dos cinco rapazes que participaram do estupro da menina de 17 anos, em Copacabana, em janeiro, o adolescente Ă© o Ășnico que nĂŁo teve a internação determinada pela Justiça, apesar de solicitada pela PolĂ­cia Civil. Ele responde pelo crime em liberdade. Em nota, o MinistĂ©rio PĂșblico do Rio disse que eventuais medidas cautelares ainda podem ser requeridas no decorrer da investigação.

Segundo o delegado, a apreensĂŁo do celular do adolescente, seguida da quebra de sigilo telemĂĄtico, pode revelar mais detalhes da participação dele e dos demais no crime ocorrido em  Copacabana e em outra denĂșncia de estupro registrada contra o jovem nessa segunda-feira (2).

Outros estupros

Logo depois que o caso de Copacabana se tornou pĂșblico, a partir da circulação de imagens dos indiciados, mais duas vĂ­timas do Pedro II procuraram a polĂ­cia para denunciar outros estupros com a participação de integrantes do mesmo grupo que atacou a menina de 17 anos em janeiro.

Uma das denĂșncias foi feita por vĂ­tima que tinha 14 anos Ă  Ă©poca. Em depoimento, acompanhada da mĂŁe, ela afirmou que foi estuprada em 2023, em um apartamento no MaracanĂŁ, pelo adolescente e mais dois homens.

Segundo a vĂ­tima, o ato foi gravado e as imagens foram usadas como forma de chantageĂĄ-la, o que levou os investigadores a suspeitarem do conteĂșdo dos celulares. Dos quatro presos, nenhum entregou o equipamento pessoal Ă  polĂ­cia.

A segunda vítima, segundo o delegado, relatou que toda a ação foi filmada.

“O que chamou atenção da gente Ă© que era o mesmo modus operandi da ação contra essa vĂ­tima que sofreu abuso em Copa”, completou.

O policial voltou a explicar que, nos dois casos, o adolescente preparou uma emboscada.

“Ela teve um relacionamento anterior com o adolescente que a atraiu atĂ© o apartamento e, chegando lĂĄ, havia mais dois homens que praticaram a violĂȘncia sexual e agressĂ”es fĂ­sicas.”

No sĂĄbado (28), dia da tentativa de prisĂŁo dos indiciados, a polĂ­cia nĂŁo tinha autorização para apreensĂŁo de celulares ou aparelhos eletrĂŽnicos. “TĂ­nhamos o interesse em verificar os celulares, porque sĂŁo muito comuns as filmagens neste tipo de crime”, disse Lages.

A apreensão também elucidaria a dinùmica da atuação.

“Eles combinaram antes, conversaram. Esse grupo nĂŁo apareceu naquele apartamento por acaso”, explicou.

No domingo, um dia depois da tentativa de prisĂŁo dos denunciados, o grĂȘmio estudantil do ColĂ©gio Pedro II soltou uma nota pedindo a expulsĂŁo dos alunos envolvidos, o adolescente e Vitor Hugo Simonin. 

“NĂŁo Ă© de hoje que tais alunos – e assim como outros – tĂȘm algum tipo de envolvimento em casos de assĂ©dio e abuso, incluindo vazamento de vĂ­deos expositivos de uma aluna do campus”, diz a nota da entidade em rede social.

A PolĂ­cia Civil tambĂ©m quer acionar a escola para conhecer as denĂșncias e eventuais investigaçÔes anteriores contra alunos. O colĂ©gio nĂŁo se manifestou.

Mais cedo, na delegacia, a defesa de Vitor Simonin disse Ă  imprensa que o cliente nega o estupro coletivo. Apesar da gravidade das lesĂ”es da vitima, atestadas por legista, o advogado Ângelo MĂĄximo sugeriu consentimento.

Ao comentar o caso, o delegado voltou a alertar a sociedade. “Os meninos, principalmente, precisam saber que nĂŁo Ă© nĂŁo”, afirmou. “A partir do momento que nĂŁo houver mais consentimento, hĂĄ um crime”, pontuou. “Inclusive, com uma pena pesada, que pode chegar, se a vĂ­tima for adolescente, a 20 anos de prisĂŁo”.

Para denĂșncias de violĂȘncia domĂ©stica, procure uma delegacia ou disque do seu telefone o nĂșmero 180.

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