A movimentação é silenciosa, mas tem endereço certo. Prefeitos eleitos pelo Progressistas, sob a chancela do governo de Gladson Cameli e da vice-governadora Mailza Assis, já articulam apoio ao senador Alan Rick na disputa pelo governo.
O gesto não é pequeno. Mailza é uma das vozes mais firmes na defesa do protagonismo do PP no Acre. Foi peça central na estratégia que garantiu ao partido 14 das 22 prefeituras do estado nas eleições de 2024. Agora, parte desse capital político ameaça escapar pelas mãos.
Nos bastidores, a leitura é direta, prefeitos querem manter portas abertas com o governo, mas também não pretendem fechar diálogo com quem aparece competitivo na corrida ao Palácio Rio Branco.
Rosana Gomes, chumbo trocado em Senador Guiomard
Rosana Gomes, de Senador Guiomard, é o caso mais explícito. Única mulher eleita prefeita em 2024, ela já anunciou que estará com Alan.
O rompimento tem camada política e pessoal. Ex-cunhada de Mailza, Rosana enfrentou desentendimentos familiares que transbordaram para o campo eleitoral. Em 2024, Mailza optou pela neutralidade e não apoiou a reeleição da prefeita. Agora, Rosana devolve na mesma moeda.
No grupo progressista, o movimento é visto como afronta direta à liderança estadual do partido.
Gerlen Diniz e a crise em Sena Madureira
Em Sena Madureira, o racha é mais institucional. Gerlen Diniz azedou de vez a relação com o governo após aparecer ao lado de Alan em agenda envolvendo uma obra do Deracre no município.
O episódio irritou profundamente o governador. A partir dali, a relação deixou de ser apenas protocolar e passou ao campo do desgaste aberto.
Gerlen hoje é dado como certo no palanque do senador.
Apoio silencioso e alerta no Palácio
Fontes próximas às articulações afirmam que Alan deve conquistar outros prefeitos do Progressistas. Mas, diferente de Rosana e Gerlen, o apoio viria de forma discreta.
A estratégia seria manter oficialmente a fidelidade ao partido e ao governo, enquanto costuram compromissos eleitorais paralelos. Prefeitos não querem romper de vez com o Palácio nem criar ruído com a cúpula partidária.
O problema é que o Palácio Rio Branco já monitora possíveis movimentos de infidelidade. E não pretende tratar o assunto com tolerância.
No caso de Rosana e Gerlen, a decisão caberá ao diretório estadual do PP, que pode abrir processo por infidelidade partidária, com risco de expulsão. A avaliação interna é que permitir deserções sem reação enfraqueceria a autoridade de Mailza no comando político do partido.
A disputa, portanto, já começou antes mesmo da campanha oficial. E, desta vez, o embate não é apenas contra adversários externos, mas dentro de casa.

