As desigualdades de gĂȘnero continuam a comprometer a segurança hĂdrica mundial, afetando de maneira desproporcional mulheres e meninas. Apesar de serem as principais responsĂĄveis pela coleta de ĂĄgua, elas continuam excluĂdas da gestĂŁo e dos cargos de liderança no setor hĂdrico.
Esta Ă© a conclusĂŁo do RelatĂłrio Mundial das NaçÔes Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos HĂdricos, publicado nesta quinta-feira (19) pela Organização das NaçÔes Unidas para a Educação, a CiĂȘncia e a Cultura (Unesco), em nome da ONU-Ăgua.
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O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, avalia que garantir a participação das mulheres na gestĂŁo e na governança hĂdrica Ă© um fator fundamental para o progresso e para o desenvolvimento sustentĂĄvel.
âDevemos intensificar os esforços a fim de proteger o acesso de mulheres e meninas Ă ĂĄgua. Este nĂŁo Ă© apenas um direito bĂĄsico, pois quando as mulheres tĂȘm acesso igual Ă ĂĄgua, todos se beneficiamâ, afirmou El-Enany.
Para o presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento AgrĂcola (FIDA) e presidente da ONU-Ăgua, Alvaro Lario, Ă© hora de reconhecer plenamente o papel central das mulheres e das meninas nas soluçÔes relacionadas Ă ĂĄgua.
âPrecisamos de mulheres e homens que administrem a ĂĄgua lado a lado, como um bem comum que fornece benefĂcios a toda a sociedadeâ, disse Lario.
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Dia Mundial da Ăgua
O RelatĂłrio Mundial das NaçÔes Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos HĂdricos Ă© divulgado anualmente no contexto do Dia Mundial da Ăgua, celebrado no prĂłximo domingo (22). O estudo deste ano alerta que 2,1 bilhĂ”es de pessoas ainda nĂŁo contam com ĂĄgua potĂĄvel administrada de forma segura, sendo que as mulheres e meninas sĂŁo as mais afetadas.
Segundo a ONU, por serem na maioria das vezes as responsĂĄveis pela coleta e gestĂŁo da ĂĄgua em suas residĂȘncias, mulheres e meninas estĂŁo expostas a esforço fĂsico, perda de acesso Ă educação e aos meios de subsistĂȘncia, riscos Ă saĂșde e maior vulnerabilidade Ă violĂȘncia de gĂȘnero, especialmente nos locais em que os serviços nĂŁo sĂŁo seguros ou sĂŁo pouco confiĂĄveis.
Confira os principais destaques do estudoÂ
Mundialmente, todos os dias, mulheres e meninas passam um total de 250 milhĂ”es de horas coletando ĂĄgua, tempo que poderia ser dedicado Ă educação, ao lazer ou a atividades de geração de renda. Meninas menores de 15 anos (7%) tĂȘm maior probabilidade do que meninos da mesma idade (4%) de buscar ĂĄgua.
InstalaçÔes sanitĂĄrias precĂĄrias afetam mulheres e meninas de maneira desproporcional, especialmente em favelas urbanas e ĂĄreas rurais. A falta de sanitĂĄrios e de ĂĄgua para ser usada na higiene menstrual provoca vergonha e absenteĂsmo: estima-se que, entre 2016 e 2022, 10 milhĂ”es de adolescentes (15â19 anos), em 41 paĂses, faltaram Ă escola, ao trabalho ou a atividades sociais em razĂŁo das dificuldades de higiene na menstruação.
Apesar de seu papel central na provisĂŁo de ĂĄgua para uso domĂ©stico, na agricultura, na preservação de ecossistemas e na resiliĂȘncia comunitĂĄria, as mulheres permanecem sistematicamente sub-representadas na governança, no financiamento, nos serviços e na tomada de decisĂ”es do setor hĂdrico.
Desigualdades de gĂȘnero na posse de terras e propriedades impactam diretamente o acesso das mulheres Ă ĂĄgua. Muitas vezes, os direitos Ă ĂĄgua estĂŁo vinculados aos direitos Ă terra, o que afeta diretamente a disponibilidade hĂdrica para usos produtivos, como a agricultura. Leis e regulamentos relativos Ă propriedade de terra que discriminam mulheres as colocam em uma situação de desvantagem social e econĂŽmica. Em alguns paĂses, homens detĂȘm o dobro de terras em comparação Ă s mulheres.
RecomendaçÔes
O relatório apresenta recomendaçÔes para a promoção de avanços significativos, entre elas:
 eliminar barreiras legais, institucionais e financeiras aos direitos iguais de mulheres à ågua, à terra e aos serviços;
investir em dados hĂdrico-ambientais desagregados por sexo, a fim de expor as desigualdades e orientar polĂticas;
valorizar o trabalho não remunerado relacionado à ågua nos processos de planejamento, precificação e decisÔes de investimento;
fortalecer a liderança e a capacidade tĂ©cnica das mulheres, especialmente em ĂĄreas cientĂficas e tĂ©cnicas da governança hĂdrica.
Fonte: Agencia Brasil

