RelatĂłrio da ONU aponta desigualdade de gĂȘnero no acesso Ă  ĂĄgua

Por AgĂȘncia Brasil 19/03/2026

As desigualdades de gĂȘnero continuam a comprometer a segurança hĂ­drica mundial, afetando de maneira desproporcional mulheres e meninas. Apesar de serem as principais responsĂĄveis pela coleta de ĂĄgua, elas continuam excluĂ­das da gestĂŁo e dos cargos de liderança no setor hĂ­drico.

Esta Ă© a conclusĂŁo do RelatĂłrio Mundial das NaçÔes Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos HĂ­dricos, publicado nesta quinta-feira (19) pela Organização das NaçÔes Unidas para a Educação, a CiĂȘncia e a Cultura (Unesco), em nome da ONU-Água.

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O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, avalia que garantir a participação das mulheres na gestão e na governança hídrica é um fator fundamental para o progresso e para o desenvolvimento sustentåvel.

“Devemos intensificar os esforços a fim de proteger o acesso de mulheres e meninas Ă  ĂĄgua. Este nĂŁo Ă© apenas um direito bĂĄsico, pois quando as mulheres tĂȘm acesso igual Ă  ĂĄgua, todos se beneficiam”, afirmou El-Enany.

Para o presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e presidente da ONU-Água, Alvaro Lario, é hora de reconhecer plenamente o papel central das mulheres e das meninas nas soluçÔes relacionadas à ågua.

“Precisamos de mulheres e homens que administrem a água lado a lado, como um bem comum que fornece benefícios a toda a sociedade”, disse Lario.

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Dia Mundial da Água

O Relatório Mundial das NaçÔes Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos é divulgado anualmente no contexto do Dia Mundial da Água, celebrado no próximo domingo (22). O estudo deste ano alerta que 2,1 bilhÔes de pessoas ainda não contam com ågua potåvel administrada de forma segura, sendo que as mulheres e meninas são as mais afetadas.

Segundo a ONU, por serem na maioria das vezes as responsĂĄveis pela coleta e gestĂŁo da ĂĄgua em suas residĂȘncias, mulheres e meninas estĂŁo expostas a esforço fĂ­sico, perda de acesso Ă  educação e aos meios de subsistĂȘncia, riscos Ă  saĂșde e maior vulnerabilidade Ă  violĂȘncia de gĂȘnero, especialmente nos locais em que os serviços nĂŁo sĂŁo seguros ou sĂŁo pouco confiĂĄveis.

Confira os principais destaques do estudo 

Mundialmente, todos os dias, mulheres e meninas passam um total de 250 milhĂ”es de horas coletando ĂĄgua, tempo que poderia ser dedicado Ă  educação, ao lazer ou a atividades de geração de renda. Meninas menores de 15 anos (7%) tĂȘm maior probabilidade do que meninos da mesma idade (4%) de buscar ĂĄgua.
InstalaçÔes sanitĂĄrias precĂĄrias afetam mulheres e meninas de maneira desproporcional, especialmente em favelas urbanas e ĂĄreas rurais. A falta de sanitĂĄrios e de ĂĄgua para ser usada na higiene menstrual provoca vergonha e absenteĂ­smo: estima-se que, entre 2016 e 2022, 10 milhĂ”es de adolescentes (15–19 anos), em 41 paĂ­ses, faltaram Ă  escola, ao trabalho ou a atividades sociais em razĂŁo das dificuldades de higiene na menstruação.
Apesar de seu papel central na provisĂŁo de ĂĄgua para uso domĂ©stico, na agricultura, na preservação de ecossistemas e na resiliĂȘncia comunitĂĄria, as mulheres permanecem sistematicamente sub-representadas na governança, no financiamento, nos serviços e na tomada de decisĂ”es do setor hĂ­drico.
Desigualdades de gĂȘnero na posse de terras e propriedades impactam diretamente o acesso das mulheres Ă  ĂĄgua. Muitas vezes, os direitos Ă  ĂĄgua estĂŁo vinculados aos direitos Ă  terra, o que afeta diretamente a disponibilidade hĂ­drica para usos produtivos, como a agricultura. Leis e regulamentos relativos Ă  propriedade de terra que discriminam mulheres as colocam em uma situação de desvantagem social e econĂŽmica. Em alguns paĂ­ses, homens detĂȘm o dobro de terras em comparação Ă s mulheres.

RecomendaçÔes

O relatório apresenta recomendaçÔes para a promoção de avanços significativos, entre elas:

 eliminar barreiras legais, institucionais e financeiras aos direitos iguais de mulheres à ågua, à terra e aos serviços;
investir em dados hĂ­drico-ambientais desagregados por sexo, a fim de expor as desigualdades e orientar polĂ­ticas;
valorizar o trabalho não remunerado relacionado à ågua nos processos de planejamento, precificação e decisÔes de investimento;
fortalecer a liderança e a capacidade técnica das mulheres, especialmente em åreas científicas e técnicas da governança hídrica.

Fonte: Agencia Brasil

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