SP: ato das mulheres pede fim da violĂȘncia e defende fim da escala 6×1

Por AgĂȘncia Brasil 09/03/2026


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Apesar da forte chuva que caiu na tarde deste domingo (8) em SĂŁo Paulo, milhares de mulheres se reuniram na Avenida Paulista em ato que marca o Dia Internacional da Mulher. Na capital paulista, elas saĂ­ram em caminhada da Avenida Paulista atĂ© a Praça Roosevelt, segurando sombrinhas e muitas faixas que pediam pelo fim da violĂȘncia contra as mulheres no paĂ­s. O ato ocorreu simultaneamente em vĂĄrias cidades brasileiras.ebcebc

“Ô abre alas, que as mulheres vão passar. Com esta marcha muitas coisas vão mudar”, cantavam as manifestantes.

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Por causa da intensa chuva, algumas das mulheres preferiram nĂŁo seguir em caminhada, permanecendo embaixo do vĂŁo livre do Museu de Arte de SĂŁo Paulo (Masp).

“[Estamos aqui pelo] combate efetivo do feminicĂ­dio e da violĂȘncia contra a mulher como um todo, porque nĂŁo basta sĂł pacto, palavras, nota de apoio, a gente quer orçamento pĂșblico e medidas efetivas. E isso a gente nĂŁo viu avançar em nenhuma das esferas do executivo, do judiciĂĄrio e do legislativo”, disse Alice Ferreira, uma das fundadoras e coordenadoras do Levante Mulheres Vivas.

Durante o ato na Avenida Paulista, as mulheres também fizeram algumas intervençÔes independentes. Em uma delas, posicionaram diversos sapatos femininos pela avenida, representando vítimas de feminicídio do país.

 


São Paulo – 08/-3/2026 – Ato pelo dia 8M em São Paulo. Fotos: Elaine Patrícia Cruz/ABr

Sapatos representam vĂ­timas de feminicĂ­dio em instalação na Avenida Paulista – Elaine PatrĂ­cia Cruz/ABr

“Tem tambĂ©m a das bonecas, que foi instalada em frente ao FĂłrum Pedro Lessa e que fala das crianças que tambĂ©m sofrem com toda essa misoginia, inclusive por conta do escĂąndalo da quase legalização da pedofilia no judiciĂĄrio, ressaltou Alice Ferreira, se referindo ao caso de um desembargador que absolveu homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos em Minas Gerai.

Segundo a coordenadora do Levante Mulheres Vivas, o ato também pretende reforçar a importùncia da aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que pretende tipificar a misoginia, que é conduta de ódio contra as mulheres, como crime.

“Enquanto o discurso feminista Ă© boicotado pelas big techs, o discurso red pill [movimento de homens que usam a internet para promover discursos misĂłginos] Ă© impulsionado. EntĂŁo, criminalizar Ă© o primeiro passo para começarmos a reverter essa lĂłgica”, disse Alice Ferreira.

SĂł no estado de SĂŁo Paulo, foram mortas 270 mulheres em 2025,  alta de 96,4% na comparação com 2021. Esse foi um nĂșmero recorde de feminicĂ­dios desde que teve inĂ­cio a sĂ©rie histĂłrica, em 2018.

Outras pautas

AlĂ©m do fim da violĂȘncia e do feminicĂ­dio, as mulheres tambĂ©m protestaram pelo fim da escala 6×1, pelo fim da violĂȘncia polĂ­tica e pelo fim do extremismo que busca controlar corpos e vozes femininas.

“O mote de SĂŁo Paulo Ă© pela vida das mulheres, pelo fim da escala 6 por 1 e em defesa da soberania e autodeterminação dos povos”, explicou Luana Bife, da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de SĂŁo Paulo.

 


São Paulo – 08/-3/2026 – Ato pelo dia 8M em São Paulo. Fotos: Elaine Patrícia Cruz/ABr

Ato pelo dia 8M em SĂŁo Paulo – Elaine PatrĂ­cia Cruz/ABr

Em entrevista Ă  AgĂȘncia Brasil, Luana Bife defendeu que o fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sĂŁo temas extremamente importantes para as mulheres, principalmente porque muitas sĂŁo responsĂĄveis pelo cuidado e renda das famĂ­lias.

“A mulher tem uma escala 7 por 0. EntĂŁo hoje, para a mulher trabalhadora, o fim da escala 6×1 resulta nĂŁo sĂł em um perĂ­odo de descanso e autocuidado, mas tambĂ©m para ela decidir como quer estar no mundo”.

Para a ativista, problemas como a violĂȘncia contra as mulheres e relacionados Ă  falta de garantia de direitos devem ser enfrentados com polĂ­ticas pĂșblicas.

“Tem que ser uma pauta permanente de defesa da vida das mulheres. E para isso sĂŁo necessĂĄrias polĂ­ticas pĂșblicas, que independem dos governos. A gente tem que ter firmes as polĂ­ticas pĂșblicas e sociais que se destinam ao combate das violĂȘncias contra as mulheres e as meninas”, ressaltou.

O ato, que recebeu o nome de Em Defesa da Vida das Mulheres, teve a participação de diversos movimentos sociais e sindicais entre eles, a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros.

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