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Startups: Tess AI se muda para o Vale do Silício após captar com fundos globais

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Startups: Tess AI se muda para o Vale do Silício após captar com fundos globais

Fundada por brasileiros, plataforma de agentes autônomos recebeu uma rodada seed de US$ 5 milhões

Startups

Stephanie Tondo

18/03/2026 11h42

Atualizado 10 minutos atrás

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Fundada por brasileiros, a plataforma de agentes autônomos Tess AI está de mudança para o Vale do Silício. O movimento vem na esteira de uma rodada seed de US$ 5 milhões captada pela startup este mês com os investidores globais Hi Ventures, DYDX Capital e Honeystone. Rival de empresas como Manus e Cursor, a Tess quer levar para o mundo a ideia de que a IA pode atuar a favor dos profissionais – e não o oposto.

“Quando a Tess entra em uma empresa, nos primeiros seis meses, de quatro a cinco softwares são cancelados. É o software que é demitido, não os funcionários. O inimigo número 1 dos agentes são os SaaS, não os trabalhadores”, brinca Ricardo Barros, cofundador e CEO da Tess AI, em entrevista ao Startups.

A mudança para São Francisco está prevista para abril. A empresa, que opera com cerca de 30 funcionários em regime remoto, passará a ser sediada no Vale do Silício para liderar sua expansão internacional. Hoje, de 80% a 85% da base de clientes ainda é brasileira, mas a Tess já atende empresas em 25 países, incluindo a francesa Publicis Groupe, a canadense Maple Bear e a chinesa State Grid.

A última rodada de investimento reuniu nomes com histórico relevante no setor e estratégicos para a nova fase da Tess. A gestora mexicana Hi Ventures é coliderada por Federico Antoni, investidor early-stage na Cornershop antes de sua aquisição pela Uber. A DYDX Capital tem como sócio Ryan Nichols, ex-CPO do Salesforce Service Cloud. Já a Honeystone foi cofundada pela reitora da Stanford Graduate School of Business, Sarah Soule, ao lado dos professores Jonathan Levav e Yossi Feinberg.

Para Rica Barros, a composição dos investidores não é coincidência. “Validamos a tese tecnicamente e academicamente nessa rodada. A entrada do ex-executivo da Salesforce foi muito marcante porque estamos vivendo a era do SaaSpocalypse”, aponta. O termo descreve o movimento em curso de queda nas ações de empresas de software tradicionais à medida que companhias passam a buscar ferramentas de IA para o dia a dia de suas operações.

Atualmente, porém, a maior parte das empresas de IA voltadas para corporações possuem um modelo de cobrança por usuário, o que acaba encarecendo a implementação – e reduzindo o retorno sobre o investimento nas soluções que trariam mais eficiência à companhia. A Tess se posiciona como alternativa a esse modelo. Em vez de cobrar por usuário, a plataforma cobra por tarefa executada. Segundo a empresa, isso representa uma economia de até 68% em relação ao ChatGPT Business e de até 90% frente ao ChatGPT Enterprise.

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A proposta também elimina a fricção de adoção: qualquer funcionário pode criar seus próprios agentes e compartilhá-los dentro da empresa, sem aprovação de TI ou licença extra.

“Vibe working”

A visão da Tess é que, no futuro, cada funcionário tenha seu próprio time de agentes, ou seja, de assistentes virtuais. “Na prática, só existe sucesso da Tess se existe sucesso de alguém dentro da empresa. Isso gera um efeito viral, em que uma pessoa começa a implementar e dá certo, e aí outros começam a usar. Em três meses, todos os departamentos estão usando”, explica Ricardo.

Esse modelo de expansão orgânica, que a empresa chama de “vibe working”, já produziu números expressivos. Em um ano de operação, mais de 16 mil colaboradores adotaram a plataforma e foram executadas 2,1 milhões de tarefas autônomas. Só no último mês, esse número chegou a 600 mil tarefas – realizadas sem intervenção humana.

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“Não é só vibe coding, porque o profissional consegue ter agentes ajudando a realizar tarefas que sozinho ele não conseguiria. Eles ajudam a destravar skills”, ressalta Renato Ferreira, cofundador e COO da Tess AI.

Um dos casos mais citados pela empresa é o do Grupo Profarma, com cerca de 9 mil funcionários. Em 90 dias, mais de 60 colaboradores de áreas como RH, Jurídico e Financeiro implementaram mais de 90 agentes autônomos. O resultado foi a criação de uma nova área de IA dentro da empresa.

A plataforma da Tess funciona como um marketplace com mais de 50 mil agentes de IA diferentes, que usam 268 modelos de linguagem de empresas como OpenAI, Anthropic, Deepseek, Meta, Cohere, Google, entre outras. A empresa se define como uma plataforma de orquestração agêntica, não um simples agregador de IAs.

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No benchmark GAIA, referência do setor para avaliação de agentes autônomos, a Tess diz superar a Manus AI – adquirida pela Meta por mais de US$ 2 bilhões – em 10%.

“Nós lançamos um dos primeiros sistemas de orquestração agêntica do mundo. Na Tess, quando um usuário faz um pedido, existe um caminho customizado em que as IAs conversam entre si. Também criamos a ideia de consenso da IA, em que é possível checar se as IAs têm vieses. Dessa forma, o usuário consegue ver qual o consenso das IAs chinesas e americanas, por exemplo, e comparar essas visões”, explica Ricardo.

A meta da empresa para 2026 é chegar a US$ 10 milhões em faturamento, um crescimento de pouco mais de 3x. A expectativa é que a tração venha da expansão internacional, mas também do próprio crescimento orgânico dentro das empresas onde a Tess já é utilizada.

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Para os fundadores, a mudança para o Vale do Silício faz parte de um novo momento para o mercado de startups. “Antigamente, a empresa tinha que se provar primeiro localmente, na América Latina, por exemplo, para depois pensar em se tornar global. Agora, não. IA que não pensa globalmente, não existe”, aponta Ricardo.

Conteúdo produzido por Startups.

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Fonte: InfoMoney

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