Três décadas após o acidente que parou o Brasil, novos e impactantes detalhes sobre o resgate dos Mamonas Assassinas vieram à tona.
Em uma entrevista reveladora nesta quinta-feira (12/03), o coronel reformado Melo, que comandou parte das buscas na Serra da Cantareira em 1996, detalhou o momento exato em que localizou o corpo do vocalista Dinho em meio aos destroços e à vegetação fechada.
O militar explicou que a visibilidade no local da queda era quase nula, o que obrigou a equipe a formar uma “corrente humana” para vasculhar o terreno íngreme. “Quando cheguei lá e peguei no braço, estava pesado. Aí falei: ‘Pessoal, segura aí que não é só o braço’”, relembrou o coronel em depoimento ao TIKTAL Podcast.
Cenário de guerra na Serra da Cantareira
O acidente, ocorrido na noite de 2 de março de 1996, desintegrou a aeronave ao colidir com eucaliptos gigantescos. Segundo o coronel Melo, pedaços do avião e das vítimas ficaram espalhados por uma vasta área, dificultando o trabalho de identificação e remoção.
Resgate na Serra da Cantareira em 1996 mobilizou centenas de homens em meio à mata fechada | Foto: Arquivo Histórico/Bombeiros
O estado em que Dinho foi encontrado
Em um dos trechos mais fortes do relato, o bombeiro descreveu a gravidade do impacto no corpo do cantor. Ele explicou que o reconhecimento inicial só foi possível graças à vestimenta de Dinho, confirmada por um familiar que acompanhava as buscas no local.
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Identificação: O vocalista estava de bermuda, peça reconhecida prontamente por parentes.
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Dificuldade logística: Como não havia local para pouso de helicópteros, os bombeiros precisaram abrir clareiras na foice para içar os corpos envolvidos em lonas.
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Isolamento: O coronel lembrou ainda a invasão de curiosos e jornalistas na pedreira próxima, o que exigiu um cerco policial rigoroso para preservar a cena e o trabalho da perícia.
O fim das buscas
O último corpo só foi localizado por volta das 13h do dia seguinte ao acidente. “Eles se espalharam bem em virtude do avião se desmanchar nas árvores”, explicou o militar.
O relato humaniza a figura dos profissionais de resgate, que até hoje carregam as marcas psicológicas de terem atendido a ocorrência que encerrou precocemente o fenômeno Mamonas Assassinas.
Fonte: Metrópoles
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