Quase quatro décadas após o maior acidente radiológico do mundo fora de usinas nucleares, o estado dos túmulos das vítimas do Césio-137 em Goiânia voltou a ser alvo de debate.
Em vídeo publicado nesta segunda-feira (23/03), o antropólogo e influenciador Jorge Cordeiro revelou imagens das sepulturas no Cemitério Parque, denunciando o descaso com a preservação dessa memória histórica.
As imagens mostram os icônicos túmulos selados com chumbo, concreto e granito uma medida extrema adotada em 1987 para conter a radiação dos corpos, incluindo o da pequena Leide das Neves, símbolo da tragédia.
“Seladas com chumbo”
Durante o registro, Cordeiro destaca o preconceito sofrido pelas famílias na época. “É chocante pensar que as sepulturas tiveram que ser colocadas no ponto mais distante do cemitério e até seladas para evitar uma contaminação que hoje sabemos ser inexistente”, pontuou o antropólogo.
Com informações do Metrópoles.
Apesar de a estrutura física de contenção estar preservada, o influenciador critica a falta de sinalização e textos que expliquem a importância do local. Segundo ele, o espaço está “visivelmente ameaçado pela falta de zelo e descuido”, não cumprindo seu papel de educar as novas gerações sobre os perigos da negligência com materiais radioativos.
Relembre a Tragédia de 1987
O acidente teve início quando dois catadores encontraram um aparelho de radioterapia em uma clínica desativada no centro de Goiânia. Ao abrirem a cápsula, encontraram um pó que emitia um brilho azul intenso no escuro.
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A Contaminação: Encantados pelo brilho, moradores manipularam e distribuíram a substância.
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As Vítimas: Quatro pessoas morreram em poucos dias e centenas foram contaminadas.
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O Legado: Até hoje, os rejeitos radioativos estão armazenados em um depósito definitivo em Abadia de Goiás, monitorado pela CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear).
O alerta do influenciador ganha urgência após notícias recentes sobre furtos de cápsulas de aparelhos de raio-X em Minas Gerais, provando que a ignorância sobre esses equipamentos ainda representa um risco real em 2026.

