Dados do painel epidemiológico do Ministério da Saúde, checados pelo ContilNet, mostram que o Acre registrou um óbito por metapneumovírus humano, o HMPV, em 2026. A morte ocorreu no município de Feijó.
O metapneumovírus ganhou atenção internacional após provocar um surto de infecções respiratórias na China no ano passado, especialmente entre crianças. À época, o ministério informou que acompanhava atentamente a situação, mas destacou que não havia alerta internacional emitido pela Organização Mundial da Saúde.
De acordo com Marcelo Gomes, coordenador-geral de Vigilância da Covid-19, Influenza e outros Vírus Respiratórios do ministério, a vigilância epidemiológica brasileira mantém comunicação constante com autoridades sanitárias da OMS e de diversos países, incluindo a China, para monitorar a evolução do cenário.
Informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China indicaram que, apesar do aumento de infecções respiratórias agudas, a magnitude e a intensidade foram menores do que as registradas no mesmo período do ano anterior. Entre os vírus em circulação estavam influenza sazonal, rinovírus, vírus sincicial respiratório e o próprio HMPV, com maior concentração nas províncias do norte chinês.
O que é o metapneumovírus
Detectado pela primeira vez na Holanda, em 2001, o metapneumovírus humano pertence à família Pneumoviridae, a mesma do vírus sincicial respiratório. No Brasil, foi identificado em 2004 e desde então é monitorado como parte das ações de vigilância de doenças respiratórias.
O vírus é uma das causas do chamado resfriado comum e pode provocar sintomas como tosse, febre, dor de garganta, coriza, dores no corpo e dor de cabeça. Na maioria dos casos, a infecção é leve. No entanto, pode evoluir para quadros mais graves, como pneumonia, bronquiolite ou bronquite, principalmente em crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades ou imunossupressão.
Casos mais severos podem apresentar falta de ar, dor no peito, febre persistente, desidratação e cansaço intenso. A orientação é procurar atendimento médico diante de sinais de agravamento.
Embora não exista vacina específica contra o metapneumovírus, as autoridades de saúde destacam a importância da imunização contra covid-19 e influenza, que integram o calendário nacional para públicos prioritários, como gestantes e idosos.
A vacinação anual contra a gripe é recomendada devido às constantes mutações do vírus influenza. O imunizante ofertado pelo Sistema Único de Saúde protege contra os três subtipos que mais circularam no Hemisfério Sul no último ano.
Entre as medidas preventivas indicadas estão lavar as mãos com frequência, usar álcool em gel, manter ambientes ventilados, utilizar máscara em locais fechados ou com aglomeração e evitar contato próximo com pessoas que apresentem sintomas respiratórios.
Especialistas consideram baixo o risco de uma pandemia relacionada ao HMPV, mas apontam que a manutenção das medidas de prevenção e o monitoramento contínuo são fundamentais para reduzir hospitalizações e óbitos por vírus respiratórios.
6 óbitos por SRAG em 2026
Dados do painel epidemiológico do Ministério da Saúde, checados pelo ContilNet na última quinta-feira (26), mostram que o Acre já registrou seis óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até a 5ª semana epidemiológica considerando a data dos primeiros sintomas.
Segundo o monitor, o estado contabilizou dois óbitos por SRAG não especificada. As duas mortes ocorreram no município de Feijó.
A terceira morte foi causada por metapneumovírus, vírus respiratório que provocou surto na China em 2025 e é monitorado pelo Ministério da Saúde do Brasil desde 2004. O agente pode causar infecções respiratórias superiores e inferiores.
O metapneumovírus é comum em casos de síndrome gripal, mas pode evoluir para SRAG, exigindo internação. Esse óbito também foi registrado em Feijó.
A quarta morte ocorreu em Cruzeiro do Sul e foi causada por rinovírus, principal responsável por resfriados comuns e também um agente importante de SRAG no Brasil, especialmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos.
As outras duas mortes foram provocadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que pode causar bronquiolite e está entre os principais responsáveis por infecções respiratórias graves em crianças menores de 2 anos, especialmente até os 6 meses de vida.
Esses dois óbitos foram registrados nos municípios de Senador Guiomard e Cruzeiro do Sul.
Alerta da Fiocruz
O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (26), alerta que o Acre, junto com Amazonas e Roraima, continuam com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de risco.
No Brasil apresenta sinal de início de aumento. Este cenário tem sido impulsionado principalmente pelo recente aumento do número de hospitalizações por rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR) em alguns estados do Brasil. A análise é referente à Semana Epidemiológica 7, no período de 15 a 21 de fevereiro.
LEIA MAIS: No Acre, vacinação contra a gripe permanece abaixo da meta em todos os municípios
A alta de SRAG no Acre e Amazonas se deve à recente alta das hospitalizações por influenza A, que já apresenta sinal de redução. E também do VSR, cujo número de casos está em queda no Amazonas, mas segue aumentando no Acre e Roraima.
Rio Branco (AC) e Manaus (AM) ainda apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.


