A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) realizará, na próxima segunda-feira (27), um workshop para discutir soluções voltadas ao reforço do sistema elétrico no Acre. O evento será transmitido ao vivo pelo YouTube, a partir das 14h30, e integra a etapa de consulta pública sobre o tema.
Durante o encontro, serão apresentados estudos técnicos e ambientais que apontam a adoção de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) como a alternativa mais eficaz para aumentar a confiabilidade do fornecimento nos municípios de Feijó e Cruzeiro do Sul. A iniciativa contará com a participação de representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O workshop também deve servir como espaço de debate para definição de diretrizes e modelos de negócio que vão embasar futuros leilões voltados à implantação desses sistemas.
O eixo de transmissão que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul, passando por Feijó, é considerado um dos mais desafiadores da região amazônica. Com cerca de 639 quilômetros de extensão e mais de mil torres, a estrutura conecta o extremo oeste do Acre ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A operação teve início em dezembro de 2024, sob responsabilidade da Transmissora Acre, permitindo a desativação de termelétricas movidas a diesel e gerando economia anual estimada em R$ 240 milhões.
Apesar dos avanços, a configuração atual da rede — do tipo radial — ainda apresenta fragilidades. Por estar localizada na ponta do sistema e contar com baixa inércia elétrica, a região enfrenta oscilações e interrupções no fornecimento.
Como solução, a EPE propõe a instalação de baterias de grande porte nas subestações de Feijó e Cruzeiro do Sul. O projeto prevê o uso da tecnologia conhecida como grid-forming, capaz de manter a estabilidade da rede mesmo em situações de falha na linha principal. Na prática, isso permitiria que o sistema continue operando de forma isolada, garantindo o fornecimento de energia até o restabelecimento da conexão principal.
O plano inclui ainda investimentos estimados em R$ 694,7 milhões para reforço da infraestrutura, com novas linhas de transmissão e integração dos sistemas de armazenamento, reduzindo o risco de apagões na região.
A proposta é vista pela EPE como um projeto pioneiro no país e pode servir de modelo para outras áreas com desafios semelhantes, como Amapá e Roraima. A experiência também deve contribuir para a definição de regras futuras para remuneração de sistemas de armazenamento no setor de transmissão.
O que é a EPE?
A Empresa de Pesquisa Energética – EPE tem por finalidade prestar serviços ao Ministério de Minas e Energia (MME) na área de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energético, cobrindo energia elétrica, petróleo e gás natural e seus derivados e biocombustiveis. Somos uma empresa pública federal, dependente do Orçamento Geral da União. A empresa foi criada por meio de medida provisória convertida em lei pelo Congresso Nacional – Lei 10.847, de 15 de Março de 2004. E a efetivação se deu em um decreto de agosto de 2004.
A EPE foi criada com o objetivo de resgatar a responsabilidade constitucional do Estado nacional em assegurar as bases para o desenvolvimento sustentável da infraestrutura energética do país. A partir de sua criação, a atuação da EPE consolidou-se como parte fundamental de um ciclo de atividades que se inicia com as definições de políticas e diretrizes no âmbito do CNPE – Conselho Nacional de Política Energética e do MME. A partir dessas definições materializam-se os estudos e as pesquisas que irão efetivamente orientar o desenvolvimento do setor energético brasileiro.
Desde sua constituição, a EPE tem participado ativamente das grandes discussões que dizem respeito ao setor energético brasileiro. A Empresa atua no planejamento do setor energético nacional conduzindo os estudos e pesquisas que culminam na construção do conjunto de procedimentos e ações que visam à realização da política necessária ao suprimento de energia.
Nossa atuação requer ampla articulação com órgãos e instituições diversos. Nesse sentido, a EPE empreendeu, no âmbito setorial, estreita articulação com o Ministério de Minas e Energia – MME, com as agências reguladoras – Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis – ANP e Agência Nacional de Águas – ANA, com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE.
O Escritório Central da EPE funciona na cidade do Rio de Janeiro. Ocupa, hoje, seis andares do Edifício Marques do Reis, na Praça Pio X, 54. A sede da instituição fica em Brasília.
Com informações do site Canal Solar.